Quarto trimestre mostra aceleração

Crescimento do consumo das famílias foi de 3,7% no período, enquanto os investimentos aumentaram 3,4%

Fernando Dantas e Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

Os brasileiros aceleraram os gastos no último trimestre de 2007, o que pode aumentar a preocupação do Banco Central (BC) com o risco de pressões inflacionárias. De outubro a dezembro do ano passado, o ritmo de aumento do consumo das famílias superou até o dos investimentos, que até agora vêm sendo a grande estrela da atual fase de expansão da economia.Na comparação com o trimestre anterior, na série dessazonalizada, o consumo das famílias teve alta de 3,7% e os investimentos (formação brutal de capital fixo), de 3,4%. Se forem utilizados os números anualizados, isso corresponde a taxas de crescimento de, respectivamente, 15,6% e 14,3%. Na comparação com o mesmo período de 2006, o consumo das famílias cresceu 8,6% no quarto trimestre e os investimentos, 16%.Os investimentos já vêm em marcha acelerada desde o fim de 2005, com crescimento de dois dígitos em cinco dos oito últimos trimestres, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já para o consumo das famílias, o último trimestre de 2007 mostra claramente uma guinada para cima.Isso fica mais claro na série dessazonalizada, em comparações com o trimestre anterior. O crescimento do quarto trimestre de 2007 é o maior desde 1996, quando houve expansão de 4,3% no terceiro trimestre. Na verdade, o consumo das famílias vinha numa batida regular e consistente de crescimento desde o fim de 2003, com o ritmo oscilando em um intervalo relativamente pequeno, que variou de um mínimo de 0,5% a um máximo de 1,6% por trimestre (na série dessazonalizada). Esse gradualismo na expansão do consumo das famílias, que é o principal componente da demanda, responsável por 60%, era visto como um dos fatores que davam tranqüilidade ao Banco Central (BC) contra as pressões inflacionárias. Agora, porém, a vigilância do BC pode aumentar."A aceleração da demanda é um fator legítimo que pode aumentar a apreensão do BC com os índices de preços no curto prazo", comentou o economista-chefe do Banco Morgan Stanley, Marcelo Carvalho. Para a economista Rebeca Palis, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, que apura o PIB), a forte expansão do consumo das famílias é conseqüência da conjunção de um aumento, em 2007, de 3,6% da massa salarial real e de um crescimento de 28,8% no saldo de operações de crédito do sistema financeiro para as pessoas físicas.Os investimentos foram impulsionados por um crescimento de mais de 20% das máquinas e equipamentos. O outro componente, a construção civil, cresceu 5% em 2007.

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