Quase metade dos consumidores pretende gastar menos no Dia das Mães

Levantamento mostra que 47,5% dos compradores vão reduzir os gastos na data; shoppings centers são os estabelecimentos prediletos

Daniel Weterman e Felipe Neris, especiais para o Estado, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Quase metade dos consumidores que irão às compras neste Dia das Mães pretende gastar menos em presentes. Levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 47,5% das pessoas decidiram reduzir os gastos na data que, depois do Natal, é a mais rentável para o comércio.

O cenário deve provocar uma queda nas vendas em relação ao Dia das Mães do ano passado. Em 2015, a data já havia apresentado retração, de 0,59% em relação ao ano anterior. O superintendente da CNDL, Éverton Correia, diz que as vendas podem atingir um recuo de até 3% neste Dia das Mães.

De acordo com o estudo, o resultado é reflexo direto da situação econômica. "Com o avanço da inflação e piora nos indicadores de emprego, o brasileiro se depara com menos renda disponível, que resulta em gastos mais modestos", diz a análise do levantamento. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 9,39% nos últimos doze meses até março.

O desemprego é o principal motivo apontado pelos entrevistados para a redução nas compras. Na pesquisa, 24,8% dos consumidores atribui à falta de ocupação a causa da diminuição nos gastos. A taxa de desocupação atingiu 10,9% no trimestre encerrado em março, num total de 11,1 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Endividamento (21%) e desejo por economizar (16,6%) também estão entre os motivos mais citados no levantamento entre consumidores.

 

 

"É saudável que o consumidor ajuste seu orçamento ao invés de aumentar gastos, mesmo que para o comerciante seja mais difícil vender", diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC. A principal dica, como sempre, é pesquisar o melhor preço possível.

A manicure Suelen Lopes, 25 anos, pretende gastar no máximo R$ 100 este ano com o presente para a mãe, frente aos R$ 200 consumidos ano passado. As demissões nas empresas têm afetado diretamente o trabalho dela, que perde clientes em função da redução no consumo e agora tem menos dinheiro para presentear. "Trabalho em um salão de beleza e os serviços que oferecemos são as primeiras coisas retiradas quanto a coisa aperta. Vou comprar algo só pra não passar em branco", conta.

Produtos. As roupas lideram a preferência para os presentes em 2016 (37%), seguidas dos perfumes (29%) e calçados (17%). A economista Marcela lembra que esses setores são habitualmente beneficiados na data. "Não houve muita alteração entre setores, mas o consumidor migrou para os produtos mais baratos", destaca.

O pagamento à vista em dinheiro é a principal forma a ser utilizada pelos consumidores (58,7%), ficando na frente do cartão de crédito parcelado (19,2%) e do cartão de crédito à vista (11,2%), aponta o estudo. "O dinheiro acaba sendo a melhor forma de gastar sem endividamento e de controlar o quanto pretende gastar", opina a economista. A maioria dos entrevistados pelo SPC Brasil (54,2%) pretende comprar somente um presente e 30,9% dos entrevistados afirmam comprar dois produtos. O valor médio do gasto pretendido é de R$ 93,55 com cada item. 

Preferência. O shopping center foi citado por 27,0% dos entrevistados como provável local para a compra dos presentes, seguido pelas lojas de rua (22,9%). A internet apareceu com 11,3%. A superintendente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Adriana Colloca, avalia que o setor ainda é uma das principais opções para o consumo neste Dia das Mães. "Apesar de não ser um momento positivo para o consumo, os shoppings são mais resilientes que outros setores em geral por ainda atraírem muita gente", diz. 

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