Quase um terço da dívida pública federal vence este ano

Quase um terço da dívida pública federal em títulos vencerá até dezembro, conforme levantamento realizado pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima). Segundo relatório da instituição sobre conjuntura econômica divulgado nesta segunda-feira, até dezembro vencerão R$ 192,5 bilhões da dívida em títulos, de um estoque total de R$ 621,1 bilhões existentes no final do ano passado.O maior estoque de títulos públicos com vencimento este ano é de papéis indexados ao dólar, com um total de R$ 76,6 bilhões, ou o equivalente a 39,8% do total. Esses papéis foram vendidos pelo Tesouro no segundo semestre, quando havia forte especulação no mercado financeiro em relação à taxa de câmbio.Nos quatro meses entre abril e julho vencerão quase R$ 40 bilhões e a necessidade de "rolar" esses papéis (que estão sendo trocados por NTN-D em leilões quase diários realizados pelo Banco Central) tem sido uma pressão adicional sobre as taxas de câmbio.A segunda posição entre os papéis com maior volume de resgates até o fim do ano é de títulos pré-fixados (Letras do Tesouro Nacional), com um saldo de R$ 47,3 bilhões ou o equivalente a 24,6%. Os títulos vinculados à taxa Selic que vencerão até dezembro totalizarão R$ 37,9 bilhões (19,7% do total). Os "outros papéis" (sem vínculo com câmbio, Selic ou pré-fixados) totalizam R$ 30,6 bilhões, ou o equivalente a 15,8% do total.O relatório comenta o programa da dívida pública para este ano realizado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Pela previsão do STN, o governo encerrará 2002 com dívida pública entre R$ 700 bilhões e R$ 760 bilhões, conforme os cenários mais otimistas ou pessimistas. O prazo médio da dívida pública foi estimada pelo governo federal entre 34 meses e 38 meses. Ou seja, o governo precisa quitar ou "rolar" (renovar) todo o estoque de dívida em cerca de três anos.O endividamento federal corresponde a 2,8 vezes a arrecadação anual de tributos pelo governo federal, estimada em R$ 272 bilhões em 2001 pelo BNDES. Ou seja, é como se alguém com salário anual de R$ 60 mil (cerca de R$ 5 mil por mês), tivesse de quitar (ou então renovar) uma dívida total de quase R$ 170 mil.

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