Quatro de Basquiat que foi de Edemar é apreendido em Londres

Obra avaliada em US$ 8 milhões foi declarada com valor de apenas US$ 100

The New York Times,

13 de maio de 2013 | 16h01

 

NOVA YORK - Um caixote misterioso chegou ao Aeroporto Internacional Kennedy de Londres com uma pintura sem nome no valor declarado de US$ 100. Mais tarde, investigadores federais descobriram que a caixa trazia uma pintura do artista americano Jean-Michel Basquiat avaliada em US$ 8 milhões.

Autoridades americanas disseram que o quadro de Jean-Michel Basquiat denominado "Hannibal" foi apreendido como parte de um esquema de lavagem de dinheiro. O quadro foi levado para os Estados Unidos em 2007, como parte do esforço do ex-banqueiro brasileiro Edemar Cid Ferreira, do extinto Banco Santos, para lavar dinheiro desviado da instituição.Na época o quadro foi apreendido em um armazém Manhattan por investigadores federais.

Os policiais nos Estados Unidos dizem que "Hannibal" é apenas uma das milhares de obras de arte valiosas que estão sendo usadas por criminosos para esconder lucros ilícitos e transferir ilegalmente ativos ao redor do globo. Como outras técnicas de lavagem de dinheiro tradicionais, o comércio de obras de arte também é usado por contrabandistas, traficantes e outros setores para legalizar o dinheiro obtido por meios ilícitos.

Sharon Cohen Levin, chefe da unidade de confisco de bens dos Estados Unidos, diz que é difícil fiscalizar operações no setor de artes, pois tanto o comprador como o vendedor identificam o objeto negociado como "item de coleção particular". Não existem estatísticas concretas sobre a quantidade de dinheiro lavado no mercado de arte.

Governos ao redor do mundo têm tomado medidas para trazer a atividade ilegal à luz. Em fevereiro, a Comissão Europeia aprovou regras que obrigam as galerias de arte a informar o nome de compradores de peças de mais de US$ 9,8 mil em dinheiro. Os Estados Unidos requerem igualmente a comunicação de transações de US$ 10.000 ou mais pagos em dinheiro.

Em livro sobre o assunto, intitulado "Lavagem de dinheiro através da arte", o juiz brasileiro que presidiu o caso de Edemar Cid Ferreira, Fausto Martin De Sanctis, defende a regulamentação internacional mais eficaz para o mercado de arte e casas de leilões.

Mas para os comerciantes do setor de arte o sigilo é um elemento crucial. A associação dos revendedores de arte dos Estados Unidos rejeita a ideia de que usar a arte para lavagem de dinheiro é realmente um problema. "A questão não é um problema a nível de indústria e realmente não diz respeito a nós", disse Lily Mitchem Pearsall, porta-voz da associação.

Tudo o que sabemos sobre:
basquiatedemarlavagem de dinheiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.