FOTO Wilson Dias/Agência Brasil
FOTO Wilson Dias/Agência Brasil

Quatro em cada dez deputados condicionam reforma da Previdência a alterações, diz pesquisa da XP

Entre os parlamentares que não se classificam como de oposição, 56% concordam com a reforma, porém, com mudanças no texto

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 14h01

Uma pesquisa feita pela XP Investimentos com 201 deputados aponta que 42% dos parlamentares condicionam o apoio à reforma da Previdência apresentada pelo governo Jair Bolsonaro a "algumas alterações". O formato do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e as mudanças na aposentadoria rural são as maiores resistências.

Já 25% dos deputados consultados discordam totalmente da proposta em tramitação na Câmara. Por outro lado, 23% indicam que o projeto precisa de "muitas alterações". Para 7%, o apoio à reforma de Bolsonaro é integral.

Na pesquisa, parlamentares de oposição são mais ferrenhos em criticar o projeto apresentado. Para 70% dos deputados desse grupo, a discordância em relação à reforma da Previdência apresentada pelo governo é total. Entre os parlamentares que não se classificam como de oposição, 56% concordam com a reforma, porém, com alterações.

A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de março e 4 de abril, depois porém do acirramento da crise entre o Planalto e o Congresso provocado por embates entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Alterações

O levantamento mostra que há discordâncias em relação a pelo menos seis pontos da reforma. Os temas que mais encontram resistências entre os entrevistados são o formato do BPC (76%) e as mudanças na previdência do trabalhador rural (74%). A possibilidade de os dois pontos serem retirados da reforma já foi admitida por líderes do Congresso e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

A proposta do governo para os militares, por sua vez, precisa de alteração na opinião de 69% dos deputados. As mudanças para os integrantes das Forças Armadas foram enviadas pelo governo em um projeto separado e com regras mais brandas. Outros 63% acham que a regra de transição da reforma geral precisa ser diferente.

Além disso, a  pesquisa mostra que a percepção de deputados sobre a relação com o Planalto piorou após atritos entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A avaliação negativa (ruim e péssimo) sobre o relacionamento da Câmara com a Presidência subiu de 12% em fevereiro para 55% em abril. Já a percepção de que as duas instituições se relacionam bem caiu de 57% para 16% no mesmo período.

A avaliação sobre o relacionamento individual de cada deputado com o Planalto foi na mesma direção: ruim e péssimo subiram de 19% para 30% enquanto ótimo e bom caíram de 47% para 34% em dois meses.

Os deputados foram consultados entre os dias 26 de março e 4 de abril, depois portanto de o conflito público Bolsonaro e Maia ter sido destravado.

O levantamento aponta que a piora na percepção da relação entre os dois Poderes está relacionada ao atendimento das demandas dos deputados. Para 37% dos parlamentares consultados, os pleitos encaminhados a agências, órgãos e ministérios do governo federal têm sido mal ou muito mal atendidos (a percepção ruim era de 9% em fevereiro).

Entre 21% dos deputados ouvidos, o atendimento foi avaliado como "mais ou menos" - essa classificação era de 8% há dois meses.

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