Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Quatro em cada dez empresas ainda sentem efeitos negativos da pandemia

Segundo pesquisa do IBGE, com dados da primeira quinzena de julho, empresas prestadoras de serviços foram as mais afetadas pela crise causada pela covid-19

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2020 | 10h22
Atualizado 18 de agosto de 2020 | 13h24

RIO - A pandemia de coronavírus ainda prejudicava os negócios de quatro em cada dez empresas na primeira quinzena de julho. Entre as 2,814 milhões de companhias em funcionamento no País, 44,8% delas informaram que a covid-19 afetava negativamente suas atividades. No entanto, houve melhora em relação à segunda quinzena de junho, quando 62,4% das empresas se declaravam afetadas pela pandemia.

Os dados são da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, que integra as Estatísticas Experimentais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadoa nesta terça-feira, 18.

“Apesar da continuidade desses efeitos negativos, destaca-se uma melhora em relação à quinzena anterior”, apontou Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas do IBGE.

Magheli ressalta que a pandemia ainda afeta quatro em cada dez empresas, mas a proporção de afetados negativamente caiu ante a segunda quinzena de junho e a primeira quinzena de julho. Ao mesmo tempo, cresceu a fatia de empresas relatando mais efeitos positivos ou inexistentes da pandemia.

“Essa melhora da percepção, a maior incidência de efeitos positivos ou inexistentes, foi disseminada entre as atividades e a posição geográfica das empresas”, observou Magheli. “Podemos dizer que tem uma maior incidência de empresas que estão num processo lento de recuperação.”

O setor de serviços se manteve com a maior proporção de empresas afetadas negativamente pela covid-19: 47,0% das companhias do setor se queixaram dos reflexos da pandemia na primeira quinzena de julho. Mas houve melhora em relação à segunda quinzena de junho, quando 65,5% das empresas estavam afetadas.

No comércio, 44,0% das companhias relataram efeitos negativos nos negócios na primeira quinzena de julho, ante uma fatia de 64,1% na segunda quinzena de junho.

A flexibilização das medidas de isolamento social adotadas em combate à pandemia de coronavírus melhorou a percepção das empresas de serviços sobre os impactos negativos da covid-19 nos negócios, mas piorou a do comércio. No geral, a pandemia ainda reduziu as vendas ou serviços comercializados em 46,8% das empresas na primeira quinzena de julho.

Houve piora nas vendas em 51,6% das empresas do comércio na primeira quinzena de julho, ante um montante de 48% na segunda quinzena de junho. Entre os serviços, 45,8% das empresas se queixaram de queda nas vendas na primeira quinzena de julho ante uma fatia de 54,7% na segunda quinzena de junho.

“Cinco em cada 10 empresas do comércio e de serviços ainda estão com essa percepção de redução nas vendas. Isso ocorre especialmente entre as de menor porte”, observou Magheli.

Segundo Alessandro Pinheiro, coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE, além de haver mais empresas apontando dificuldades nas vendas e na capacidade de realizar pagamentos de rotina, o comércio pode estar mais afetado pelo desabastecimento, com dificuldade de acesso a fornecedores.

“O relaxamento das medidas impactou mais setores que precisam de contato presencial, mas piorou a situação do comércio. O comércio enfrenta problema semelhante ao da indústria, na cadeia de suprimentos. O comércio depende mais dos fornecedores do que os serviços”, justificou Pinheiro. “Embora os serviços tenham sido os mais afetados, com as medidas de relaxamento do isolamento social, foram os que apresentaram melhora mais acentuada.”

Trabalho

Na primeira quinzena de julho, 380 mil empresas reduziram a quantidade de empregados em relação à segunda quinzena do mês anterior.  A maioria das empresas em funcionamento, 80,7% delas, o equivalente a 2,2 milhões de companhias, manteve o número de trabalhadores.

Havia funcionários em trabalho domiciliar em 38,7% das empresas, e 22,4% anteciparam férias dos empregados.

Cerca de 47,3% das empresas reportaram dificuldades em realizar pagamentos de rotina na primeira quinzena de julho. Outras 41,2% tiveram dificuldades de fabricar produtos ou atender clientes, e 38,6% tiveram problemas em acessar fornecedores.

Entre as ações adotadas para atenuar os efeitos da pandemia nos negócios, 86,7% das empresas declararam ter implementado ações de prevenção e manutenção de medidas extras de higiene, 37,6% adiaram o pagamento de impostos e 12,8% conseguiram uma linha de crédito emergencial para o pagamento da folha salarial.

Na primeira quinzena de julho, 34,8% das empresas afirmaram que foram apoiadas pela autoridade governamental na adoção de medidas emergenciais contra a pandemia, contra uma fatia de 39,2% das companhias na quinzena anterior.

Essa percepção de apoio dos governos foi mais elevada entre as companhias que adiaram o pagamento de impostos (65,4% delas) e entre as que conseguiram linhas de crédito para o pagamento da folha salarial (80,6%).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.