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Quatro regiões do País já têm deflação

Para IBGE, quadro atual da economia dificulta as elevações nos preços

Daniela Amorim, Maria Regina Silva e Ricardo Rossetto, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2017 | 05h00

RIO e SÃO PAULO - A queda de preços que vem sendo registrada nos últimos meses já fez com que quatro das regiões pesquisadas pelo IBGE fechassem o mês de abril com deflação. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, o indicador oficial de inflação do País) já havia ficado negativo em duas regiões.

O resultado mais baixo foi registrado na região metropolitana de Salvador, onde os preços tiveram um recuo de 0,22%. Em Campo Grande, Belo Horizonte e Curitiba também foi registrada inflação negativa.

“Não há repasse de aumentos de preços, em função do quadro atual. A gente tem desemprego alto, as pessoas estão evitando consumir”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. “E a safra continua boa.”

Os preços dos bens e serviços monitorados passaram de alta de 0,48% em março para uma queda de 0,60% em abril. A deflação do último mês foi puxada pela redução na tarifa de energia elétrica e pelo recuo no preço da gasolina, segundo Eulina.

A deflação já vem sendo detectada nos preços no atacado, em índices como o IGP-M, da Fundação Getulio Vargas, principalmente por conta da safra agrícola recorde. “A queda nos IGPs está vindo mais forte que a esperada. Pode ser que no IPCA de junho o grupo Alimentação venha com deflação”, disse o economista Márcio Milan, da Tendências Consultoria.

Pressão. O IPCA de abril, de 0,14% (menor índice para o mês desde o início do Plano Real, em 1994) só não foi ainda mais comportado porque houve pressão do encarecimento de passagens aéreas, medicamentos, ônibus urbanos, gás de cozinha e alguns alimentos. “No geral, o quadro é de alívio. E não há nada que atrapalhe o plano de voo do Banco Central”, disse o economista Daniel Gomes da Silva, do Modal Asset Management.

Outro fator que contribuiu para a queda na inflação no mês passado foi o desconto na energia elétrica. Em abril, as contas de luz ficaram 6,39% mais barata, o equivalente a um impacto de -0,22 ponto porcentual sobre o IPCA, por causa do desconto provocado pela devolução de uma cobrança indevida feita em 2016, identificada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Eulina, contudo, alertou: “É um desconto pontual, que não significa que os consumidores vão continuar pagando menos”.

Consumidores. Apesar de um cenário mais positivo para o consumo, os consumidores dizem que ainda não sentiram no bolso os efeitos da inflação baixa. De maneira geral, mantiveram a estratégia de corte de gastos.

O sobe e desce da energia elétrica nos últimos meses fez a hamburgueria Na Garagem, na zona oeste de São Paulo, subir os preços para conseguir arcar com as despesas. “Quando não tem ninguém por aqui, desligamos uma das chapas e apagamos as luzes. Se não fizermos isso, o gasto fica muito alto”, conta Gessciane de Almeida, irmã do dono da lanchonete.

A situação não é diferente para quem trabalha dirigindo. Taxista há oito anos, Carlos Reis chegou a substituir o tipo de combustível do seu carro em busca de maior economia. Os 130 km que ele consegue rodar com um tanque cheio de GNV ficou mais caro desde o começo do mês, quando Reis percebeu um aumento de mais de dez centavos por metro cúbico do combustível em diversos postos da capital paulista. “Às vezes, eu cruzo a cidade só pra abastecer em um posto mais barato. Meu poder de compra? Tá pior a cada dia”, reclama.

O escrevente João Ferreira de Morais diz ter baixado seu padrão de consumo nas compras de supermercado, e já há algum tempo visita pelo menos três estabelecimentos diferentes para se assegurar de que está fazendo o melhor negócio. “Rapaz, fazia tempo que o meu salário de escrevente não comprava tão pouco. Parece que diminui a cada dia”, diz. 

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