Quatro térmicas serão desligadas no sábado

Desativação dessas usinas, que são mais poluentes e produzem energia mais cara, possibilita economia mensal de até R$ 100 milhões aos consumidores

EDUARDO RODRIGUES , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2013 | 02h10

Após o funcionamento pleno das usinas térmicas mais poluentes e que produzem energia mais cara desde o fim do ano passado, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) determinou ontem o desligamento de quatro termoelétricas a partir de sábado. Com a desativação dessas usinas, a economia para os consumidores a cada mês pode chegar a R$ 100 milhões, segundo o órgão.

"O CMSE concluiu que a segurança do setor elétrico de fato existe. A usina térmica de Uruguaiana já foi desmobilizada em abril, e o comitê autorizou hoje (ontem) o desligamento de mais quatro usinas", afirmou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, após a reunião do colegiado.

Serão desligadas as usinas pernambucanas de Pau Ferro (94 MW) e Termomanaus (143 MW), a goiana Chavante (54 MW) e a Potiguar (43 MW), do Rio Grande do Norte.

Essas termoelétricas foram ligadas porque o período de seca do ano passado deixou os reservatórios das hidrelétricas em níveis mais baixos que os de segurança para o fornecimento de energia.

Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, a redução de custos operacionais com o desligamento dessas usinas deve ser de R$ 270 milhões por mês.

Em termos de encargos que seriam repassados para os consumidores, a economia é de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões por mês.

"Apesar de não serem grandes usinas, essas quatro estão entre as mais caras do País", afirmou Chipp.

Racionamento. De acordo com o ministro Edison Lobão, o governo continuará monitorando a situação dos reservatórios das usinas hidrelétricas e poderá determinar o desligamento de mais usinas térmicas futuramente.

"Não temos muitas, mas ainda temos térmicas a diesel que poderão ser desligadas. Temos garantia de que o sistema é seguro e não haverá nenhum tipo de racionamento", completou Lobão.

Mas, apesar do período de chuvas já ter chegado ao fim, Lobão ponderou que o governo ainda precisará esperar alguns dias para ter um diagnóstico da situação dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

"As chuvas vieram até o fim de abril, mas da cabeceira dos rios até as hidrelétricas leva algum tempo. Daqui a dez dias é possível que os reservatórios tenham um nível melhor de água", disse o ministro.

De acordo com ele, para ir da cabeceira do Rio São Francisco até a Usina de Sobradinho, por exemplo, a água demora 13 dias. "Por isso o desligamento de mais térmicas é uma possibilidade, não é certeza. Poderíamos ter desligado mais térmicas hoje (ontem), mas preferimos manter o nível dos reservatórios, guardando essa energia", completou Lobão.

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