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Que sejam bem-vindos os robôs

SÉRGIO AMAD

SÉRGIO AMAD COSTA, professor de Recursos Humanos e Relações Trabalhistas da FGV-SP, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2012 | 03h04

COSTA

Sempre que se fala na utilização de robôs industriais, a primeira coisa que vem à mente de muitas pessoas é a preocupação quanto ao desemprego que ela pode gerar. Ledo engano. Essas máquinas prodigiosas, do mundo pós-moderno, produzem, isso, sim, uma série de benefícios tanto para a sociedade quanto para as empresas.

No Brasil, a utilização de robôs industriais ainda é escassa. O Japão é o país mais robotizado do mundo, com 306 robôs para cada 10 mil trabalhadores empregados na indústria, segundo levantamento feito pela Federação Internacional de Robótica, em 45 países, com base em dados de 2010. Constatou-se, nessa pesquisa, a média de 51 robôs para cada 10 mil trabalhadores. O Brasil ainda tem densidade inferior a dez robôs para cada 10 mil trabalhadores na indústria.

Porém, o custo dos robôs industriais está progressivamente sendo barateado, o que tornará a sua utilização mais acessível. Nesses últimos dez anos, o preço de um robô, em alguns casos, chegou a cair mais de 70% em relação ao que era no início dos anos 2000. Tal redução está possibilitando, aos poucos, a maior utilização dos robôs no Brasil, como mostraram Raquel Landim e Renato Cruz, na ilustrativa reportagem publicada neste caderno (1/4, B8).

Que sejam esses autômatos bem-vindos! Sustento minha visão otimista em relação à utilização dos robôs na indústria por duas razões básicas. Uma diz respeito ao fato de que os robôs aumentam significativamente a produtividade. E ganhos de produtividade resultam em mais riqueza, e não em pobreza. Um robô faz, com precisão, o serviço de, no mínimo, três trabalhadores por turno, o que significa nove posições por trabalho no período de 24 horas.

A outra razão do meu otimismo está no fato de que, graças aos robôs, ocorrem mudanças salutares nas funções desempenhadas pelos humanos. Essas máquinas reduzem empregos cujas tarefas são manuais, emburrecedoras, tediosas, alienantes e perigosas. Elas fazem surgir profissões e novos postos de trabalho muito mais interessantes e criativos, no campo da robótica. Além disso, os próprios profissionais que desempenhavam as atividades manuais podem ser capacitados e qualificados para operarem os robôs.

Pode-se fazer uma analogia com o desenvolvimento da informática, lembrando todos os benefícios que ela gerou. Os computadores aos poucos foram sendo utilizados nas empresas, reduzindo tarefas repetitivas e processos irracionais, liberando o ser humano para atividades criativas e pensantes. Ao contrário do que muitos esperavam, a informática gerou novas empresas - até então inimagináveis -, uma série de novas profissões e uma infinidade de novos postos de trabalho.

Hoje, a área de tecnologia da informação (TI) consta do organograma de empresas, com vários cargos que anos atrás não eram cogitados. O mesmo que ocorreu com o mundo da computação acontecerá com a robótica. Ela irá gerar, como já está aos poucos gerando, novas empresas, mais trabalhos nos setores de software, maior desenvolvimento de uma gama de sensores, assim como a instalação, a operação, a manutenção de robôs e a conversão de fábricas velhas em novas.

Embora tímida, a robótica no Brasil já está criando uma profissionalização própria da área, com novos e inusitados postos de trabalho. São empregos que, é verdade, exigem maior nível de capacitação e formação. Mas a evolução das sociedades ocorre assim. Caso contrário, estaríamos produzindo da mesma forma que no século 19.

Pois bem, basta acompanhar os artigos de Ethevaldo Siqueira, neste jornal, para ver que o futuro já chegou. Faz-se necessário o País estar aberto e vocacionado para ingressar nele. Quando vejo o entusiasmo com que crianças na faixa dos oito e nove anos de idade assistem a aulas de robótica nas escolas, percebo o quanto as novas gerações vibram com a tecnologia. Que esse entusiasmo contamine aqueles adultos que, ainda receosos, temem e resistem à utilização dos robôs industriais.

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