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Quebra-quebra no Ceagesp deve pressionar inflação

De acordo com economistas, depredações em protesto devem afetar oferta de produtos e puxar preços para cima

Denise Abarca e Maria Regina Silva, da Agência Estado,

17 de março de 2014 | 12h57

SÃO PAULO - O tumulto causado nos armazéns da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) na última sexta-feira, em razão de protestos, e uma possível retomada da cobrança do estacionamento do local devem aparecer na inflação, afirmam economistas consultados pela Agência Estado.

Os manifestantes atearam fogo em caixas de frutas, cabines de fiscalização, caçambas, um armazém e em ao menos um caminhão no pátio, o que pode afetar a oferta dos produtos e puxar os preços para cima no curtíssimo prazo. Após as manifestações, a cobrança foi suspensa nos próximos meses e a direção do Ceagesp afirmou que outras formas de financiamento serão estudadas, mas não descartou a possibilidade de retomá-la.

Embora seja difícil quantificar o impacto dos protestos e de uma possível futura cobrança na inflação, fato é que ocorrem num período de forte pressão nos preços dos alimentos, sobretudo in natura e grãos, provocados por choques de oferta decorrente da falta de chuvas. "Em termos de momento propício, com os preços nas alturas, não há momento melhor (para o repasse)", disse o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. "Estimar o quanto vai aparecer é difícil, mas pode ter desdobramento, sim", completou.

Na avaliação do economista Paulo Picchetti, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ainda é difícil precisar o impacto da eventual retomada da cobrança no estacionamento e de possíveis problemas de abastecimento. A despeito de o fato estar restrito a São Paulo, a inflação da cidade tem o maior peso, ainda que não envolva outras capitais. "Certamente, não deve ser no sentido de ajudar", afirmou, lembrando que os preços dos alimentos seguem acelerando. No IPC-S da segunda leitura de março, o grupo Alimentação avançou a 1,59%, ante 1,17% na primeira quadrissemana, conforme a FGV.

A economista Basilki Litvac, da MCM Consultores, também vê algum risco para a inflação. "A confusão de sexta-feira afetou a distribuição dos produtos neste final de semana, deixando alguns locais de compra desabastecidos. Acredito que esse evento ajude a sustentar as cotações, que já vêm elevadas por conta da questão climática", disse, em entrevista via AE Chat. "Já em relação à cobrança de estacionamento, as estimativas do setor indicam que esse custo será repassado aos preços, mas pode ser algo não muito relevante", completou.

Na Votorantim Corretora, o economista Carlos Lopes não descartou a hipótese de repasse aos preços, mas disse que, no IPCA, o efeito deve ser pequeno. "O impacto seria marginal no IPCA porque é só São Paulo. No IPC-Fipe deve ser mais significativo", afirmou.

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