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Quebraram o banco e ganharam bônus

Antes de a Caixa comprar 49% do Panamericano, banco aprovou distribuição de mais de R$ 10 milhões para os principais executivos

DAVID FRIEDLANDER, FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h05

Dias antes da venda de 49% do Panamericano para a Caixa Econômica Federal, o banco aprovou um pagamento milionário de bônus e gratificações por bom desempenho aos executivos que quebraram a instituição. A combinação aparece em e-mails trocados entre os então diretores, que foram captados pela Polícia Federal (PF) nas investigações das fraudes contábeis de R$ 4,3 bilhões no banco que pertencia a Silvio Santos.

A Caixa comprou metade do Panamericano em dezembro de 2009. No dia 13 de novembro, Rafael Palladino, então presidente do banco, mandou uma mensagem a Luiz Sandoval, principal executivo do Grupo Silvio Santos, pedindo autorização para pagar bônus e gratificações por bom desempenho para os executivos da instituição.

No e-mail, Palladino afirmou que a Caixa tinha implicado com o valor dos salários e gratificações do Panamericano e isso estava atrasando o fechamento da venda. Para acelerar o processo, o ex-presidente recomendou que as gratificações fossem pagas antes que a Caixa comprasse parte do Panamericano.

"Refazer o critério de remuneração agora poderíamos ter problema de perda de executivos, principalmente se usarem como base a remuneração de funcionários públicos", escreveu Palladino. Sandoval aprovou o pagamento. E os executivos que Palaladino queria manter - além dele próprio - foram demitidos assim que o rombo bilionário veio a público, no ano passado.

Num outro e-mail, quatro dias depois, o diretor financeiro Wilson Roberto de Aro mandou a Palladino os cálculos de quanto os executivos deveriam receber. Entre saldo de gratificação de anos anteriores e os bônus até novembro de 2009, seriam R$ 15,3 milhões. Os sete principais executivos do Panamericano ficaram com cerca de R$ 10 milhões. Palladino embolsaria R$ 3,4 milhões e Aro, R$ 2,5 milhões.

Como era costume no Panamericano, os benefícios dos executivos não eram pagos pelo banco. Eles emitiam notas fiscais de empresas que possuíam, como se tivessem prestado serviços à instituição.

Prêmio. Os e-mails em poder da PF registram momentos curiosos. De acordo com as investigações do Banco Central, as fraudes no Panamericano começaram em 2007, para esconder que a instituição estava em má situação financeira.

Em abril de 2008, Aro escreveu para Sandoval pedindo aprovação para distribuir R$ 2,5 milhões entre os principais executivos do banco com mais de dez anos no grupo.

"Tal solicitação visa premiar aqueles que participaram no excelente desempenho alcançado no exercício e motivá-los para busca de maiores resultados para 2008... e incluímos também o senhor, que faz parte deste resultado", escreveu Aro a Sandoval. O pagamento foi aprovado.

A advogada de Palladino, Elizabeth Queijo, disse que não vai se manifestar até que ele preste depoimento. A assessoria de Aro não conseguiu encontrá-lo. Alberto Zacharias Toron, advogado de Sandoval, respondeu que "em respeito ao rigor das investigações, Sandoval vai responder primeiro ao delegado federal que preside o inquérito".

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