Queda da arrecadação vai se agravar, diz economista

O economista e professor doutor da Unicamp Geraldo Biasoto Júnior avalia que queda na arrecadação do governo reflete um período natural da recessão

Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2015 | 17h17

RIBEIRÃO PRETO - O economista e professor doutor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Geraldo Biasoto Júnior avalia que a queda real de 9,32% na arrecadação federal em agosto, ante igual mês de 2014, para R$ 93,738 bilhões, reflete um "período natural da recessão" de recuo na receita. "É natural que no início de uma recessão a receita ainda se mantenha e, depois, haja uma queda profunda. Essa queda ocorre agora e teremos um processo ainda maior de baixa nos próximos meses", disse. 

Segundo Biasoto, além de enfrentar a queda na receita, o empresário pode esperar, por exemplo, que o governo apele, como nos últimos quatro anos, para algum programa de perdão de dívidas para, então, quitar os débitos. "Muito provavelmente, nestes próximos quatro meses (até o final de 2015) o empresário, com a corda no pescoço, tem tendência de deixar de pagar imposto", disse.

Biasoto avaliou ainda que a baixa na arrecadação federal em agosto e o aumento da queda acumulada progressivamente durante o ano sobre igual período de 2014 refletem o recuo na produção física e, ainda, e o fim do período de recebimento de tributos importantes, como o Imposto de Renda (IR) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL).

"A queda real na arrecadação do ano contra o mesmo período do ano anterior pulou de 1,6%, entre janeiro e julho, para 3,68% para janeiro e agosto. Vai convergindo para a queda na produção, que só na indústria foi de 6,6% entre janeiro e julho", comparou. 

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