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Crise política corrói lucro de empresa com dívida em dólar

Levantamento da Economática revela que a dívida de 94 empresas de capital aberto pode ter aumentado em R$ 7,268 bi por causa da variação cambial

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2017 | 05h00

Em apenas dois dias, quinta e sexta-feira, o sobe e desce da cotação do dólar, provocado pela turbulência política, pode ter corroído em quase um terço o lucro Ebit, antes do pagamento das despesas financeiras, das empresas com dívida em moeda estrangeira.

Um levantamento feito pela consultoria Economática, a pedido do Estado, revela que 94 empresas não financeiras de capital aberto apontaram, juntas, uma dívida em moeda estrangeira de R$ 192,856 bilhões no primeiro trimestre. Essa cifra subiu para R$ 220,123 bilhões na sexta-feira, 18, por causa do vaivém do câmbio. Entre quinta e sexta-feira, o dólar subiu 5,8% em relação ao real por causa dos escândalos políticos. De 31 de março a até a sexta-feira, dia 19, o câmbio acumulou alta de 3,77%. Com isso, a dívida pode aumentado em R$ 7,268 bilhões por causa da variação cambial.

“Em dois dias, essas empresas saíram de uma situação de receita financeira para uma de despesa financeira com a dívida em moeda estrangeira”, observa Einar Rivero, gerente de Relacionamento Institucional da Economática e responsável pelo levantamento. Ele ressalta que constam nessa amostra as empresas que reportaram dívida em moeda estrangeira no primeiro trimestre de acordo com o plano padrão de contas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ficaram de fora desse grupo grandes companhias como Petrobrás, Vale, Telefônica, por exemplo, que não informaram a dívida em moeda estrangeira no plano padrão de contas da CVM.

“Até o dia 17 de maio (quarta-feira) antes do holocausto, o dólar estava caindo 1,92% no trimestre e as empresas endividadas em moeda estrangeira estavam ganhando dinheiro”, explica Rivero. Mas o resultado do jogo se inverteu nesses dois dias porque a despesa financeira com a dívida aumentou.

O gerente da consultoria frisa que o estudo é uma fotografia tirada da situação dessas companhias em dois momentos: no dia 31 de março, quando fecharam os balanços do primeiro trimestre, e a última sexta-feira, depois da disparada do câmbio.

Ele enfatiza também que os cálculos levaram em conta algumas hipóteses. Uma delas que essas empresas não têm seguro (hedge) cambial nem hedge natural, advindo das exportações de seus produtos. Outra hipótese é que essas companhias não quitaram a total ou parcialmente a dívida em moeda estrangeira que tinham no dia 31 de março e não contraíram novas dívidas. Com relação à proporção da corrosão do lucro (Ebit), o estudo considerou a hipótese de que esse grupo de empresas repetiu no segundo trimestre até o dia 19 de maio o lucro registrado no primeiro trimestre, que foi de R$ 23,504 bilhões.

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