Queda da Bolsa é ainda maior em dólar

Os preços das ações estão caindo, ao mesmo tempo que o dólar sobe para patamares acima de qualquer previsão. A soma destes dois fatores resulta em que o preço médio da ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está muito baixo em dólares. Quem aceita risco e pode investir no longo prazo deve olhar com mais carinho esta possibilidade de investimento. E quem está com ações na carteira, ou fundo de ações, deve evitar a venda ou o resgate, porque o preço está muito baixo neste momento.O preço médio das ações é indicado pelo chamado Índice Bovespa (Ibovespa) , que mede a variação das cotações das principais ações negociadas na bolsa paulista. Convertendo este índice pelo dólar, seu valor estaria um pouco abaixo de 3.000 pontos, um dos menores de toda a história do Plano Real. O patamar mais baixo de preço do Ibovespa em dólar ocorreu em março de 1995, quando chegou a custar pouco acima de 2.400 pontos.A melhor comparação, no entanto, é com a evolução do preço das ações desde o final de 1999. Nesta época, a Bovespa caminhava para seu pico, para depois despencar, o que também aconteceu com as Bolsas do mercado norte-americano, quando estourou a bolha dos investimentos em empresas da chamada nova economia. Em 27 de março de 2000, o Ibovespa chegou ao valor de 10.915 pontos em dólar. Em relação aos negócios de hoje, isso representa uma queda de 73% de seu valor de pico. No ano, a Bovespa já acumula uma perda da ordem de 31%, em reais. E o dólar subiu no período 37,8%. Em dólar, isso representa uma queda de 50% do preço médio das principais ações brasileiras.Busca para ativos reaisOs analistas são unânimes na avaliação de que o preço das ações brasileiras já está muito barato. O problema é que diante das instabilidades da economia, existe o risco de maior queda da Bolsa, mesmo já estando barata. Se a alta do dólar assustar o investidor e gerar uma procura por ativos reais, a tendência é o preço das ações subir mais rapidamente. Se o investidor continuar retraído, com receio de que a crise econômica brasileira não passe nos próximos meses e que as Bolsas nos Estados Unidos também sofram novos abalos de credibilidade, os preços das ações no Brasil deverão se recuperar mais lentamente. Este desenvolvimento depende principalmente da confiança e da estratégia dos investidores, e não só do fato de as ações estarem baratas ou caras.Outro ponto importante quando se fala de investimento em ações é a escolha das empresas. Muitas empresas estão historicamente baratas, mas chegaram a esta situação também por problemas próprios, como elevado endividamento, baixo nível de inovação e de capacidade competitiva internacional, expectativas exageradas de crescimento no passado, etc. Por isso, a escolha de ações deve ser feita com muito critério. O investidor que não é especulador deve preferir as ações de empresas mais confiáveis e seguras, mesmo sabendo que nestes papéis seu potencial de ganho é menor.Vale lembrar que o investidor somente deve aplicar em ações ou fundo de ações o dinheiro que não tem prazo para resgate. Desta forma, é possível fazer um bom lucro no longo prazo. Quem compra com prazo definido para resgate, amplia muito seu risco. Veja nos links abaixo as recomendações dos analistas, para evitar perdas neste período de fortes turbulências dos mercados.

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