Queda da Bovespa em janeiro é a maior desde maio de 2006

Saldo negativo no mês foi de 6,88%, o pior resultado desde maio de 2006, baixa de 9,4%

Claudia Violante, da Agência Estado,

31 de janeiro de 2008 | 18h48

Depois de tombar quase 4% no começo do dia, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu devolver boa parte das perdas, mas não teve fôlego suficiente para inverter a mão - como aconteceu em Nova York. Assim, encerrou o último pregão do mês em baixa, de 1,33%, aos 59.490,4 pontos, ampliando as perdas registradas em janeiro a -6,88%, o pior resultado desde maio de 2006 (-9,4%).  O Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - oscilou entre a máxima de 60.288 pontos (estável) e a mínima de 57.886 pontos (-3,99%). No ano, por se tratar do primeiro mês de 2008, o resultado acumulado foi o mesmo (-6,88%). O volume financeiro negociado hoje totalizou R$ 7,035 bilhões (preliminar). Em Nova York, às 18h15, todas as bolsas subiam. O Dow Jones tinha alta de 1,56%, o S&P avançava 1,61%, e Nasdaq registrava elevação de 1,76%. Janeiro foi um mês marcado pela oscilação, diante do temor de recessão nos Estados Unidos. O sobe-e-desce dos papéis foi tão intenso que obrigou o governo George W. Bush a anunciar um pacote de ajuda aos contribuintes em torno de US$ 150 bilhões, que tramita atualmente no Senado. Além disso, o Federal Reserve promoveu um corte extraordinário da taxa básica de juros do País, de 0,75 ponto porcentual, na semana passada, seguido por uma outra redução, ontem, de mais 0,50 ponto, resultando numa taxa de 3% ao ano.  Temores A diminuição dos juros norte-americanos teve, no entanto, efeito efêmero sobre os negócios ontem. As bolsas, que estavam em queda, viraram instantaneamente para cima, mas apenas a Bovespa manteve este sinal até o fechamento. Nos Estados Unidos, o temor de que a crise agora vá contaminar as seguradoras de bônus (que garantem o pagamento das operações de crédito imobiliário) fez com que as bolsas voltassem a cair - sinal que foi repercutido durante toda a sessão doméstica nesta quinta-feira. Ontem, a Fitch Ratings já cortou a nota da FGIC para "AA", o que aumentou a especulação de que a MBIA e a Ambac também podem ser rebaixadas. Além disso, a MBIA anunciou seu maior prejuízo da história, e isso ajudou na abertura em queda de Wall Street hoje. Mas o sinal voltou a virar no início da tarde, em razão da fala enfática do executivo-chefe da MBIA, Gary Dunton, em defesa do setor e da empresa.  Em teleconferência após a divulgação de seu balanço, ele afirmou que, apesar das perdas reais e significativas, "não há nada que possamos identificar que justifique a queda de 80%" das ações. Para ele, o mercado "exagerou na reação" aos problemas da MBIA e que os temores espalhados e "as distorções intencionais dos fatos" também desempenharam um papel na queda da ação (ver nota às 14h50).  Com a reação de Nova York, para amanhã é possível que a Bovespa sofra um novo ajuste atrasado, a exemplo de hoje, e suba. Há indicadores relevantes nos Estados Unidos, mas não se espera uma grande surpresa - por causa da ação do Fed que, sabendo antecipadamente dos dados, poderia ter agido de uma forma diferente do que fez. Para o relatório do mercado de trabalho, são estimadas a criação de 75 mil vagas.  Como começa nesta sexta-feira o feriado prolongado de carnaval no Brasil, os investidores domésticos não devem assumir posições ousadas amanhã. E mesmo que se estabeleça uma trajetória de alta, ela tende a ser comedida.

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