Queda da inflação dá ânimo para 2017

As expectativas para 2017 melhoram com o resultado da inflação em novembro, que não passou de 0,18%

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11 de dezembro de 2016 | 06h50

As expectativas para 2017 melhoram com o resultado da inflação em novembro medida pelo Índice de Preços ao Consumido Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que não passou de 0,18%. Trata-se do melhor resultado para o mês desde 1988 e abaixo das projeções do mercado, que indicavam variação de 0,22% a 0,35%.

Esse ganho foi possibilitado pela queda dos preços dos alimentos. A produção aumentou não só nas culturas voltadas para a exportação, mas também nas de itens básicos da mesa do brasileiro, como arroz e feijão, e que vinham pressionando os gastos do consumidor.

No acumulado até novembro, o IPCA está em 5,97% e, nos 12 meses terminados no mês passado, em 6,99%. Com isso, há possibilidade de que a inflação feche 2016 em 6,5%, dentro do limite de tolerância da política de metas e em patamar inferior à projetada pelo mercado em geral, que previa até há pouco uma taxa em torno de 7,2%.

Esse quadro reforça a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), em sua próxima reunião, no dia 11 de janeiro – quando será anunciada também a inflação de 2016 –, reduzir de modo mais sensível a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, como a própria autoridade monetária já antecipou. Mesmo com o Copom mantendo a indispensável prudência, tendo em vista seu compromisso de levar a inflação de 2017 para a meta de 4,5%, indicadores essenciais de preços e atividade econômica poderão justificar um ciclo de baixa da taxa de juros. A tão esperada retomada da economia poderia então ganhar força.

Convém notar que a safra recorde 2016/2017, além dos benefícios para o controle da inflação, dará uma injeção de R$ 194 bilhões na economia, impulsionando toda a cadeia produtiva ligada à atividade agropecuária, bem como os serviços de transporte e outros. Não se pode deixar de considerar também a receita que o País pode auferir com as exportações, compensando a eventual queda dos preços de commodities agrícolas com o aumento dos volumes exportados.

Além disso, o governo promete medidas para incentivar as empresas. Elas ainda não foram definidas, mas, ao que se informa, se destinariam a destravar o crédito. A queda da inflação e da Selic, com reflexos no custo do dinheiro, daria maior eficácia a essas medidas.

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