Queda da inflação entra no radar de investidores

Se a compra de títulos prefixados indica maior confiança na economia, o mesmo não se pode dizer do perfil da dívida

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2016 | 03h01

Cresceu, em junho, a procura por títulos federais com remuneração prefixada, cujas emissões de R$ 46,7 bilhões representaram quase 73% da colocação total do mês, de R$ 64 bilhões. Este parece ser um sinal inequívoco de que os investidores em papéis públicos atribuem consistência às quedas da inflação e do juro básico previstas pelos especialistas. E em razão disso buscam assegurar um juro nominal elevado nos próximos anos.

Em junho, segundo o relatório mensal do Tesouro Nacional, o saldo total da dívida pública federal teve um aumento expressivo de 2,77%, de R$ 2,878 trilhões, em maio, para R$ 2,958 trilhões. A dívida interna cresceu ainda mais (3,41%), com a apropriação de juros de R$ 31,2 bilhões, enquanto a dívida externa diminuiu R$ 120,7 bilhões, principalmente por causa da valorização do real. O crescimento da dívida reflete a necessidade do Tesouro de manter o caixa em nível alto, num momento de novas pressões sobre as contas fiscais.

A estratégia do governo para enfrentar o problema não é fácil. Ao manter o juro básico em 14,25% ao ano até que a inflação caia mais e que haja sinais mais evidentes de avanço na política fiscal, o Banco Central não ignora que o custo de rolagem da dívida pública continua elevado. Nos últimos 12 meses, até junho, o custo da dívida mobiliária interna foi de 14,02% ao ano, idêntico ao de maio. A queda do custo da dívida total, de 14,25% ao ano para 13,8%, em junho, deveu-se à desvalorização da dívida em moeda estrangeira e ao custo mais brando, no curto prazo, dos papéis prefixados.

O custo médio do estoque de Letras do Tesouro Nacional (LTNs), principais papéis prefixados, foi de 12,62% ao ano, em junho, e de 12,19% ao ano, nos últimos 12 meses.

Se a compra de títulos prefixados indica maior confiança na economia, o mesmo não se pode dizer do perfil da dívida. A parcela vencível em 12 meses aumentou de 20,40% em maio para 20,44% em junho. Nas mesmas datas, o prazo médio da dívida total caiu de 4,67 anos para 4,55 anos. Além disso, os investidores não residentes (ou seja, estrangeiros) reduziram sua participação no total da dívida de 16,6% em maio para 16,4% em junho (R$ 465,6 bilhões), enquanto as instituições financeiras ampliaram seu peso de 22,9% para 23,7% (R$ 671,2 bilhões).

Reduzir a dívida pública como proporção do PIB é a principal tarefa de longo prazo do governo. Os resultados ainda parecem distantes.

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