Queda da inflação não consegue baixar juros

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada, mostrou uma redução na expectativa de inflação para esse ano. Em abril, esperava-se inflação de 6,48%. Agora o patamar passou para 6,1%. A taxa está mais próxima da meta estabelecida com o Fundo Monetário Nacional (FMI) - 6%. A redução gradativa da inflação é mais um sinal de que a taxa de juros no Brasil tem espaço para cair. Mas não é isso o que vem acontecendo. Hoje a taxa básica (Selic) está em 18,5% ao ano. Na última reunião, o Copom não reduziu a taxa, tampouco sinalizou a sua tendência para a próxima definição de juros. Isso porque ele estabeleceu o viés neutro para a taxa. O que indica que ela pode continuar não caindo. Por que os juros no Brasil ainda não caíram? A taxa de juros hoje no Brasil está muito mais dependente do cenário externo do que atrelada aos fatores positivos da economia brasileira, como a queda da inflação. O mercado está atento ao que o banco central norte-americano (Fed) vai decidir na próxima reunião, no dia 28. Desde junho do ano passado, o Fed já aumentou os juros em 1,75 ponto percentual. Hoje a taxa está em 6,5% ao mês.Há alguns dias, era consenso entre os analistas que ele continuaria a sua escalada de juros para conter o aquecimento da economia norte-americana. Na sexta-feira, a divulgação do nível de desemprego foi positivo. O número estava em 3,8% da população. Esperava-se um aumento de 0,1 ponto porcentual. Veio um número melhor: 4,1%. O resultado é bom para o mercado porque indica um desaquecimento da economia.Mas isso não é suficiente para que o Fed reveja sua posição. Até a próxima reunião, ele vai precisar de mais sinais que mostrem que a economia americana está realmente desacelerando. Enquanto isso, os juros no Brasil não devem cair. O País precisa manter a taxa alta para continuar atraindo investidores estrangeiros.

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