finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Queda da Selic impacta investimentos

Renda fixa fica menos atrativa em comparação à Bolsa de Valores, que pode trazer ganhos mais significativos

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

23 de outubro de 2011 | 21h13

Redução da taxa básica de juros (Selic) impacta diretamente na rentabilidade dos investimentos. A renda fixa (como os fundos DI, CDB e caderneta de poupança) passa a render menos. Enquanto a renda variável (ações) ganha fôlego e pode trazer retornos mais significativos ao investidor.

Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu o segundo corte consecutivo na Selic. Desta vez, o recuo foi de 0,50 ponto porcentual, o que colocou a taxa em 11,5% ao ano. Para alguns economistas, a Selic deve chegar a 8,5% ao ano até o fim de 2012. Se essa redução expressiva acontecer, os impactos nos investimentos serão ainda mais nítidos, dizem especialistas em finanças pessoais.

"No atual patamar da taxa, o investidor já tem que fazer a conta do ganho líquido obtido em fundos de renda fixa e comparar com a caderneta de poupança", diz Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica, sugerindo que, em alguns casos, a poupança já pode ser mais vantajosa do que determinados fundos.

Ele explica que essa situação ocorre justamente porque a caderneta não tem incidência de Imposto de Renda, nem taxas de administração. Diferente dos fundos, que têm os dois custos. "Por isso é preciso fazer o cálculo e saber qual das opções está mais vantajosa", acrescenta Gallo.

A competitividade da poupança fica maior conforme o juro cai. O professor de finanças da Ibmec do Rio, Luiz Filipe Rossi, lembra, porém, que é preciso incluir nesta conta a inflação. "Se o juro cai, mas a inflação continua alta, como está hoje, as rentabilidades são ainda mais afetadas. Portanto, este número também deve entrar no cálculo."

Rogério Bastos, diretor da FinPlan, concorda com os dois especialistas. "Quando a Selic chegar a 9% ao ano, se a inflação estiver na meta, provavelmente a poupança volta a ser interessante para o investidor."

Os títulos do Tesouro Direto, embora também se enquadrem na modalidade da renda fixa, também devem continuar atraentes e vantajosos ao investidor - mesmo em relação à caderneta de poupança. O motivo também é o fato de os títulos terem custo baixo para a aquisição.

Bolsa. Juro alto significa custo financeiro alto às empresas. Se a taxa cai, esse custo também recua e o valor das companhias, consequentemente, sobe. Dessa forma, teoricamente, as cotações das ações dessas empresas tende a subir, explicam especialistas. Além disso, comparativamente às modalidade da renda fixa, que perdem com a redução do juro, o investimento no mercado acionário também tende a ganhar competitividade.

A situação do mercado externo, porém, também é fator relevante para a Bolsa. "A Bolsa, teoricamente é beneficiada com a queda dos juros, mas a modalidade está sofrendo demais com a situação na Europa, portanto, não creio em forte recuperação, por enquanto", diz Bastos.

Líder em juros. Mesmo se a Selic recuar para 8,5% ao ano, o Brasil seguiria na posição de liderança do ranking de juros mais altos do mundo. Porém, no longo prazo, com a ampliação da estabilidade econômica, a perspectiva é de seguidas quedas na taxa. "E, então, devemos começar a nos acostumar com rentabilidades mais baixas em todas as aplicações", comenta Gallo, da FGV e da PUC. "O investidor deverá estar mais atento e fazer contas comparando melhor os ativos e dando mais atenção às suas estratégias de investimento", completa o especialista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.