Dario Oliveira|Estadão
Dario Oliveira|Estadão

Corte da Selic faz Bolsa subir e dólar recuar para R$ 3,17

Redução de juros maior do que o mercado havia antecipado faz Bovespa fechar em alta de 2,41%; moeda americana terminou o dia em queda de 0,62%

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2017 | 11h28

A Bovespa reagiu com otimismo à decisão do Copom de reduzir em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros, na última quarta-feira, para 13%, uma queda maior do que o esperado. A Bolsa fechou em alta de 2,41%, aos 63.953,93 pontos, o maior patamar desde 8 de novembro - o dia da eleição que levaria o republicano Donald Trump ao poder nos Estados Unidos. O volume de negócios na Bolsa brasileira totalizou R$ 10,8 bilhões, o mais expressivo dos pregões do ano. 

“A Bovespa voou hoje. Havia dúvidas quanto à possibilidade de o Copom acelerar o ritmo de cortes apenas pontualmente, mas há sinais de que o Banco Central trabalha com um orçamento maior para os cortes. Ou seja, deve cortar mais e por mais tempo”, disse Hersz Ferman, economista da Elite Corretora, para justificar o bom humor nos negócios com ações.

A avaliação positiva do mercado também se refletiu no câmbio. O dólar à vista encerrou a quinta-feira com queda de 0,62%, cotado a R$ 3,1747. O recuo da moeda americana foi direcionado, sobretudo, pela contínua expectativa de entrada de recursos no País.

“O corte (da Selic) também indicou maior confiança do Banco Central de que a inflação está caindo... Isso é uma leitura positiva para a retomada da atividade”, disse o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

Para Michael Viriato, professor do Insper, o fato de o Banco Central sinalizar que a inflação está sob controle e que os juros devem seguir uma rota de queda mais acelerada ao longo deste ano faz com o que o empresário se sinta mais seguro para tomar dinheiro emprestado no futuro, com taxas menores.

“É uma reação em cadeia, e o investidor também se sente mais confiante”, disse. “Se nada de grave acontecer no Brasil e no mercado internacional, este tende a ser mais um ano de ganhos na Bolsa - e parte disso já está acontecendo agora, no começo de 2017. Nosso maior fator de risco é uma nova paralisia política, fruto dos desdobramentos da Operação Lava Jato, e as reformas previdenciária e trabalhista travarem.” 

Entre as ações que responderam diretamente à queda da Selic destacaram-se Br Malls ON (8,51% de alta), Lojas Americanas PN (7,36%) e Multiplan ON (6,45%). Os bancos também reagiram bem, pela expectativa de que a queda dos juros reduza a inadimplência e destrave o crédito. Santander Brasil Unit avançou 5,02%, seguido por Itaú Unibanco PN (2,54%) e Bradesco PN (2,35%). 

Sem dizer nada. A alta da Bovespa andou na contramão das bolsas americanas, que recuaram ainda em meio à repercussão da entrevista coletiva concedida por Donald Trump na quarta-feira. A ausência de detalhes sobre o que será a política econômica nos EUA acabou frustrando os mercados locais. 

“Foi uma correção. O mercado criou uma expectativa grande sobre o anúncio das medidas de estímulos de Trump, mas a fala do futuro presidente não reduziu as incertezas. Seu governo é a grande dúvida deste ano e isso acaba se refletindo nas bolsas”, diz Silvio Campos Neto, da Tendências. / COLABOROU PAULA DIAS, COM REUTERS 

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