Queda das ações da VALE atrapalha acordo com Xstrata, diz fonte

A queda das ações da Vale, relacionadasà proposta de aquisição da Xstrata, colocaram outro obstáculono caminho de um negócio entre os dois grupos mineradores. A compra da Xstrata pela Vale poderia valer 90 bilhões dedólares e marcaria uma das maiores operações do tipo no mundo. Desde o fechamento do mercado em 28 de fevereiro, o preçodas ações da Vale em Nova York caiu quase 14 por cento ante odeclínio de aproximadamente 3 por cento dos papéis da Xstrata. Na segunda-feira, as ações da Vale em Nova York perderam4,4 por cento, a 31,67 dólares cada, após a Xstrata ver as suasencerrarem em baixa de 2,6 por cento em Londres, a 38,34libras. O movimento das ações erodiu o valor da oferta da Vale,complicando as negociações, disse uma fonte próxima ao assunto. "O ânimo entre as partes está ficando mais escuro em vez demais claro. Os movimentos dos preços das ações nos últimos 10dias tornam uma transação mais difícil", disse a fonte, que serecusou a ser identificada. Outra fonte próxima às negociações no Brasil evitou a dardetalhes, mas disse: "As negociações continuam. Elas são muitocomplicadas, mas nós continuamos negociando". A Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, disseem 29 de fevereiro que tinha chegado ao seu limite nasnegociações de aquisição com a Xstrata e sua maior acionista, aGlencore. Naquele momento, o presidente-executivo da Vale, RogerAgnelli, afirmou que o principal obstáculo para fechar o acordoera a disputa sobre os direitos de comercialização em umaempresa combinada com o grupo suíço de commodities Glencore,que negocia grande parte da produção da Xstrata. Fontes próximas ao assunto afirmaram na época que o valordo acordo tinha deixado de ser o principal problema, após aspartes acertarem preliminarmente um preço de cerca de 45 libraspor cada papel da Xstrata. A Vale planejava pagar pouco mais de 50 por cento em açõese o resto em dinheiro, disseram as empresas. Agora o preço voltou a ser um problema e nenhum progressofoi feito sobre a questão dos direitos de comercialização,disse a primeira fonte nesta segunda-feira. O presidente-executivo da Xstrata, Mick Davis, declarou em3 de março, quando divulgou os resultados anuais da empresa,que as negociações continuavam, mas não deu detalhes. Uma porta-voz da Xstrata em Londres se recusou a comentarqualquer detalhe específico das negociações, mas declarou quenão houve mudanças desde o pronunciamento de Davis. Funcionários da Vale se recusaram a fazer comentários. Uma aquisição da Xstrata permitiria à empresa brasileiradiversificar em relação à sua pesada dependência do minério deferro, que é responsável por aproximadamente 40 por cento doseu fluxo de caixa, passando para metais básicos, como níquel ecobre. A compra da Xstrata daria à nova companhia o número umdo mundo em níquel. (Reportagem adicional de Denise Luna no Rio de Janeiro)

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