''Queda de compulsório não reduziu spreads''

Para Henrique Meirelles, nível de depósitos obrigatórios dos bancos no País é adequado

Daniela Milanese, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Apesar da recente queda dos compulsórios no Brasil, os spreads bancários subiram no período, afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "O nível de compulsório no Brasil é adequado e é um dos trunfos do Brasil contra os efeitos da crise de liquidez mundial", disse, ao responder questionamento da Agência Estado.Nesta semana, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, disse, no Rio, que os bancos só reduzirão o spread quando houver queda no porcentual sobre o montante dos depósitos à vista e a prazo que as instituições financeiras têm obrigação de depositar no BC. A autoridade monetária brasileira já reduziu os compulsórios recentemente para combater a restrição de crédito. No entanto, os porcentuais continuam a ser apontados pelos bancos como motivo para manutenção de juros mais altos, apesar da queda de 1 ponto porcentual da Selic, para 12,75% ao ano."A liberação de compulsórios já feita pelo BC foi fundamental para proteger o País dos efeitos da restrição de liquidez externa que afetou o Brasil no ano passado", disse Meirelles. Segundo ele, como qualquer reserva de liquidez, há um custo de manutenção. Mas o mecanismo diminui o risco global do sistema, apontou Meirelles. O presidente do BC afirmou em Davos que um novo acordo de Basileia está a caminho, diante da necessidade de reformulação do sistema regulatório dos bancos. O atual Basileia 2 levou anos para ser construído. No entanto, Meirelles avalia que dessa vez as mudanças serão mais rápidas. "O segredo se chama crise, esse é o nome do jogo", afirmou. "Principalmente quando é necessário dinheiro público para resolver o problema."Segundo o presidente do BC, a nova estrutura regulatória deve estar mais clara em abril, na a reunião do G-20, em Londres. Enquanto isso, alguns pontos já ganham importância, como a necessidade de regular todas instituições financeiras - apesar de já acontecer no Brasil, nos Estados Unidos algumas modalidades ficavam imunes. A necessidade de um volume maior de reservas de liquidez, mais capital e menor alavancagem também surge na atual discussão. Segundo ele, a legislação brasileira é elogiada por autoridades internacionais. Em Davos, a percepção é de que será preciso mais intervenção do governo para assegurar um melhor funcionamento do mercado, contou Meirelles. Os participantes do Fórum também avaliam que o G-20 é o fórum adequado para tratar das questões sobre a crise. Segundo Meirelles, o G-7 ou o G-8 não têm condições de conduzir sozinhos as discussões porque hoje os emergentes estão integrados à economia mundial. Ele também levantou a necessidade de cooperação internacional. "Em vez de se voltar para o protecionismo, é preciso que avancemos com questões como a Rodada Doha."

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