Queda de juro favorece investimento em Bolsa

Com a queda na taxa de juros básica - Selic - a tendência é que os investimentos em renda variável fiquem mais atraentes, o que pode favorecer a migração de recursos das aplicações remuneradas por juros - fundos de renda fixa pós-fixados - para a Bolsa. O viés de baixa, também adotado pelo Banco Central (BC) na semana passada, indica que os juros podem cair ainda mais. Isso é mais um impulso para os investimentos em renda variável. De acordo com o economista-chefe do Banco Santos, Rogério Mori, a opção para quem deseja obter uma rentabilidade maior, são os fundos derivativos que tenham títulos com juros prefixados em carteira. "Os fundos com esses papéis tiraram proveito do recuo dos juros, mas tendem a permanecer atraentes porque a tendência dos juros é ainda de queda", explica.Para Mori, o quadro de melhora externa e redução das taxas de juros fortalece os atrativos do investimento em Bolsa. Ele esclarece que juros mais baixos favorecem a valorização das ações, porque ampliam o lucro das empresas, pela expansão do crescimento econômico, e estimulam a migração de recursos das aplicações remuneradas por juros para a Bolsa. Com baixa inflação, juros podem cair mais Para Mori, entre os fatores que levaram o BC a optar pela redução de um ponto porcentual na Selic estão os baixos índices de inflação, a redução das oscilações do preço das ações no mercado de Nova Iorque e a perspectiva de relativa acomodação das taxas de juros nos EUA, embora possam subir mais um pouco. O economista considera a decisão do BC tecnicamente correta, coerente com a política de metas inflacionárias. Isso porque a inflação no primeiro semestre ficou abaixo das expectativas. Com isso, o BC pode trabalhar com uma folga considerável no segundo semestre. "O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), que indica o alvo de inflação a ser perseguido, deve fechar o ano abaixo de 6%", completa.Diante desse cenário, o presidente do BC poderá valer-se do viés de baixa e sacramentar nova queda da taxa básica de juro, antes da próxima reunião do Copom nos dias 18 e 19 de julho. Isso se o banco central dos Estados Unidos (FED) mantiver o juro básico norte-americano em 6,5% ao ano. A reunião do FED tem início hoje e termina na quarta-feira.

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