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Queda de juros leva bancos a buscar novos negócios

Associação com Porto Seguro faz Itaú Unibanco aumentar participação em setor em expansão

Leandro Modé e Vinícius Pinheiro, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2009 | 00h00

A queda da taxa básica de juros para níveis cada vez mais baixos está levando as grandes instituições financeiras a diversificar seu leque de produtos para manter a lucratividade em alta no País. É nesse contexto que se insere a associação entre Itaú Unibanco e Porto Seguro. "É um casamento importante e muito bom para os dois lados", afirmou o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu. "Para o Itaú, significa aumentar a presença em um segmento em expansão no Brasil."Pérsio Nogueira, analista da Corretora Planner, também elogia a parceria. "O Itaú Unibanco encontrou alguém que tem uma atuação em seguros melhor que a dele", disse. "Com isso, poderá se concentrar em seu objetivo principal, que, como se sabe, é o crescimento para fora do Brasil." A Porto Seguro, que já detinha a liderança no ramo de automóveis, consolidou-se na posição com a incorporação da carteira do banco. O faturamento (prêmio) somado das duas companhias no primeiro semestre de 2009 foi de R$ 2,319 bilhões - sendo R$ 1,609 bilhão da Porto Seguro e R$ 710 milhões do Itaú Unibanco. No mesmo período, o Bradesco, que ocupa a segunda posição em seguro de automóveis, registrou receita de R$ 1,472 bilhão, segundo informações do balanço do banco.Pelos cálculos do mercado, a participação da Porto Seguro no ramo auto deve aumentar dos atuais 20% para 29,3%. Para os especialistas, essa fatia de mercado deve sustentar a empresa na liderança, que vinha sendo ameaçada pelo crescimento do Bradesco, que conta com aproximadamente 16% do faturamento do segmento. Apesar do crescimento, a participação é relativamente pequena para suscitar questionamentos de órgãos de defesa da concorrência. Por isso, os analistas não veem dificuldades na aprovação da operação.Segundo o analista Henrique Navarro, da Santander Corretora, com a união, o valor de mercado da Porto Seguro tem um potencial de alta de pelo menos 15%, com base nas cotações de sexta-feira.SINERGIASO analista acredita que a associação com o Itaú Unibanco deve contribuir para a redução de despesas como, por exemplo, comissão e publicidade. Ele destacou também o aumento esperado na receita com a maior capacidade de distribuição dos produtos da companhia. "O potencial de ganho com a venda de seguros nas mais de 3 mil agências do Itaú Unibanco é enorme", avalia.Segundoo analista do Santander, o valor da operação foi relativamente barato em relação a negócios anteriores no setor. A associação não envolveu dinheiro, apenas a transferência da carteira de seguro auto e residencial do Itaú Unibanco, com patrimônio líquido de R$ 950 milhões, para a Porto Seguro. Em troca, o banco ficará com 30% do capital da seguradora.Na avaliação do analista João Augusto Salles, da Lopes Filho, o desenho do negócio, que manteve o controle da seguradora nas mãos de Jayme Garfinkel e a gestão da carteira sob a responsabilidade da Porto Seguro, também foi positiva para o Itaú Unibanco. "A união torna a companhia mais competitiva, já que une a escala do banco com a expertise da Porto Seguro", disse.

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