Queda de juros nos cartões depende de recuo do desemprego

A redução das taxas de juros dos cartões de crédito está na dependência da melhora dos índices de emprego. Este indicador é um dos que tem maior peso no cálculo de risco das administradoras, pois está diretamente relacionada à inadimplência e à possibilidade de novos atrasos. Este ano, simultaneamente à elevação da taxa, os índices de faturas não pagas está nos mais altos patamares desde 1998. A inadimplência superou 5%, de acordo com Roberto Lima, presidente da Credicard, sem no entanto revelar os números exatos.Os emissores de cartão rejeitam as críticas com relação aos juros cobrados, sob o argumento de que, se a data da compra for planejada, as taxas podem ser bem inferiores a de outras modalidades de crédito por causa dos prazos considerados - uma compra pode ser paga em até 40 dias. Roberto Lima argumenta que, diferentemente de outras modalidades de crédito, o portador do cartão, mesmo desempregado, tem acesso ao "empréstimo" e pode não pagar a dívida, daí o rigor das taxas.ModalidadesAtualmente, no chamado crédito rotativo, pelo qual se pode pagar um valor mínimo na data de vencimento e ´rolar´ o restante, as taxas estão entre 4,5% e 11%. Esta modalidade responde por 30% a 35% dos pagamentos realizados. O parcelamento sem juros, oferecido pelo estabelecimento comercial, fica com outros 36%. O pagamento com juros, fechado no momento da compra e negociado com o comércio, representa 3%. Cerca de 30% dos portadores pagam o cartão na data do vencimento.Lima alega ainda que na composição das taxas de juros entram diversos custos arcados pelas administradoras quando o devedor faz o questionamento na Justiça. As empresas têm que pagar o principal e esperar o ressarcimento, além de recolher os tributos sobre este valor, mesmo não tendo recebido ainda. Fazem parte também do cálculo de juros as despesas na distribuição de faturas - no caso da Credicard são 6 milhões por mês - e os gastos de comunicação, em razão da grande atividade do call center, explica.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.