Queda de juros pode ampliar crédito

O economista-chefe da Crédit Lyonnais Asset Management, Carlos Eduardo Rocha, entende que o País deve crescer 3,5% em 2000 e entre 4% e 4,5% no ano que vem. A queda da taxa básica de juros - Selic - de 18,50% para 16,50% ao ano não deve afetar o nível de atividade. Rocha acredita que o Banco Central (BC) foi agressivo na condução da política monetária porque havia sinais de que a atividade econômica estava mais fraca, indicando que a demanda não pressionaria a inflação. A queda dos juros pode estimular os bancos a ampliarem as operações de crédito ao consumidor. Isso porque, caso a inadimplência caia, investir em títulos públicos pode ficar menos atraente, afirma Rocha. A redução do compulsório sobre depósitos à vista - porcentagem dos depósitos dos clientes que os bancos são obrigados a manter bloqueados no Banco Central, sem nenhuma remuneração -, que hoje está em 45%, também seria outra maneira de incentivar o crédito. A queda dos juros também tem um impacto positivo sobre as contas públicas, porque mais de 50% da dívida pública ainda é composta por títulos pós-fixados, corrigidos pela taxa Selic. Quando os juros caem, o custo de rolagem da dívida pública também recua.Ele acredita que o BC poderá reduzir o compulsório mais uma vez em setembro, se a economia não estiver muito aquecida. Com isso, as instituições ficam com mais recursos disponíveis para empréstimos ou para aplicações. Rocha aposta que os juros podem atingir 15,5% em dezembro. Segundo ele, é possível que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa Selic para 16% ao ano na reunião dos dias 22 e 23 de agosto. A queda para 15,5% ao ano poderia ocorrer no fim do ano.

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