Queda de rendimento preocupa mais que nível de desemprego

O nível de desemprego está estabilizado em patamar elevado, mas o maior problema refletido nos dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre julho é a queda do rendimentos dos trabalhadores. "A grande questão é a renda e não os desocupados. Esta é a questão mais forte hoje", comementou o técnico do setor, Márcio Ferrari. Em julho, houve queda de 16,4% sobre o mesmo mês do ano passado no rendimento médio real habitualmente recebido, cujo valor ficou em R$ 833,50, o menor desde a série histórica iniciada em outubro de 2001. Em julho de 2002, o valor real era de R$ 996,92. Por categorias de trabalhador, as quedas de rendimento comparadas ao ano passado foram de -11,3% para os empregados com carteira, de -12,7% para os sem carteira e de - 21,1% para os trabalhadores por conta própria, sobre o mesmo mês no ano passado.Maior perda para trabalhador por conta própriaAs relações mais precárias de trabalho e a falta de reposição, ainda que parcial, da inflação na remuneração são os principais motivos de a queda de rendimento para os trabalhadores por conta própria ser praticamente o dobro, comparado às demais categorias. "O desaquecimento econômico faz o conta própria perder mais poder de barganha, comparado aos que têm carteira de trabalho. São mais penalizados", reconheceu Ferrari. No grupo do pessoal ocupado, o maior crescimento na quantidade de pessoas na categoria de conta própria foi em São Paulo (19,5%), a exemplo do que já havia ocorrido no mês anterior. Na comparação com o ano passado, o número geral de pessoas ocupadas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE aumentou 4,3% sobre julho do ano passado, distribuídos assim: com carteira (1,6%), sem carteira (5,7%) e conta própria (9,6%).

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