Queda de trabalhadores compromete previdência em 40 anos

O financiamento da Previdência Social estará seriamente comprometido nos próximos 40 anos por causa da queda no número de trabalhadores ativos e contribuintes e do aumento de aposentados. Foi o que revelaram projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentadas ontem na primeira reunião do Fórum Nacional de Previdência Social. Segundo o IBGE, hoje, para cada uma pessoa com mais de 65 anos (considerado potencialmente inativo) existem dez com idade entre 15 e 64 anos (potencialmente ativos). Em 2050, essa relação cairá de 1 para três. "O modelo atual de previdência não tem como se perpetuar no longo prazo", resumiu o ministro da Previdência, Nelson Machado. O IBGE estima que em 2050, a população com idade acima de 80 anos será de 13,7 milhões, ante cerca de 2,3 milhões existentes atualmente. "Será o equivalente hoje a toda a população de um estado como Bahia ou Paraná", ilustrou o gerente de Estudos e Análises Demográficas do IBGE, Juarez de Castro. O Fórum, que tem representantes de sete ministérios, entidades empresariais e centrais sindicais, terá seis meses para debater soluções para esses e outros problemas. A população poderá ser consultada, por meio da internet, sobre eventuais propostas que surgirem no final dos trabalhos, ou até mesmo, durante os debates, segundo o ministro. A idéia foi sugerida pelo chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) do governo, Oswaldo Oliva Neto, que coordenaria essa pesquisa nacional. "A previdência atinge a vida de milhões de pessoas e, por isso, elas tem que se posicionar. Ninguém pode fazer um projeto de longo prazo sem o engajamento de toda a sociedade", afirmou Oliva Neto.De acordo com o IBGE, em 2050, a população brasileira chegará a 259 milhões, atingindo o pico, pois a taxa de crescimento cairá dos atuais 1,4% para 0,24% ao ano, o que levará a uma redução populacional nos anos seguintes. O quadro se agrava com a queda na taxa de natalidade. Atualmente, a média de filhos por mulher é de 2,1, quando na década de 60 essa relação era em média 6 para uma. O IBGE projeta que a relação cairá para 1,8 por uma em 2050. Para a pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), outro complicador é que tudo isso acontece em um contexto de aumento da informalidade no mercado de trabalho. Boa parte da arrecadação previdenciária vem das contribuições de empregados e empregadores ao INSS, daí ser preocupante o fato de haver menos jovens para ingressar no mercado de trabalho nos próximos anos com mais dependentes da previdência. "Isso também preocupa muito e, por isso, será o nosso foco na próxima reunião do Fórum marcada para o dia 21 de março", disse o ministro. A pesquisadora aproveitou para defender propostas polêmicas como a adoção de idade mínima para aposentadoria no setor privado, revisão da regra que permite às mulheres se aposentarem com cinco anos menos de contribuição que os homens e fim da possibilidade de acúmulo de aposentadorias e pensões por uma mesma pessoa. "A previdência ainda não se ajustou ao fato de que hoje as mulheres são também provedoras dos lares e vivem mais que os homens", comentou.

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