Queda do comércio em outubro não foi dramática

O comércio varejista apresentou crescimento zero em outubro, em relação ao mês anterior, e de 4,3% em relação ao mesmo mês de 2010. Isso permite dizer que não temos um quadro de retração, embora indique, talvez, que os consumidores esperavam o mês de dezembro para abrir suas carteiras.

O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h06

A imagem perfeita dessa prudência é que quase todos os segmentos do varejo mostraram desempenho negativo, quando examinados sob ajuste sazonal, com exceção das vendas de imóveis e eletrodomésticos, artigos ligados à informática e livros, estes beneficiados pelo Dia da Criança. Em geral, são bens que podem ser comprados a prestações e representam uma antecipação de compras natalinas, visando a fugir de uma possível alta de preços.

Nas estatísticas, uma única anomalia: o recuo das compras nos supermercados e lojas de alimentação e bebidas, da ordem de 0,2%, que pode se explicar pela aquisição apenas de itens inadiáveis a fim de aumentar as disponibilidades para as compras de Natal. Tratando-se, no entanto, de gastos com peso importante, têm sua responsabilidade no recuo das vendas varejistas. Sem ajuste sazonal, o setor mostra um aumento de vendas de 2,3%, o que pode ser mudado com o ajuste sazonal.

A inflação foi seguramente um fator que pode ter alterado as decisões dos consumidores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicava, no mesmo dia, uma sondagem mostrando que o medo do desemprego voltou nas famílias, afetando as decisões quanto às compras de final de ano.

No entanto, a Fecomércio de São Paulo está otimista sobre o Natal de 2011:80% das empresas associadas aumentaram o quadro de funcionários e acreditam que suas vendas de final de ano serão superiores às do ano anterior.

Não há dúvida de que a certeza de um aumento de 14% do salário mínimo em janeiro do ano que vem, em muitas famílias, terá efeito positivo sobre as vendas.

Para os bens mais caros e que dependem de crédito, a situação poderá ser diferente, o que explica que as vendas de automóveis, que aparecem só no comércio varejista ampliado, tenham redução de 2,3%.

As vendas (sem ajuste sazonal) variaram muito segundo as regiões. Apenas três Estados tiveram recuo: Acre (-2,5%); Sergipe (-2,3%); e Mato Grosso do Sul (-0,9%). São Paulo, com aumento de 4,7%, representa uma média nacional. Novembro ainda poderá ser fraco para o varejo, mas dezembro, um pouco melhor.

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