Queda do compulsório favorece ações de bancos

As ações dos bancos nacionais devem ganhar impulso na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) este ano com uma possível redução do compulsório, segundo a corretora BES Securities. Na opinião do analista Mário Palhares, a perspectiva está entre os principais determinantes de valor para o setor, que ainda não foram absorvidos pelas cotações das ações.A expectativa da BES, conforme estudo divulgado este mês, é de recuo do recolhimento efetuado pelo Banco Central (BC) sobre os depósitos à vista de instituições dos atuais 45,0% para cerca de 30,0%. "Deverá ocorrer uma expansão acentuada da rentabilidade do setor de aproximadamente quatro pontos porcentuais", diz.O aumento, segundo o analista, virá com a aplicação de recursos que até então ficavam depositados no BC, sem remuneração. Haverá ainda a expansão de fontes de captação com custo reduzidos.O analista aposta que o melhor desempenho será do Banco do Brasil, porque a instituição possui, em valores absolutos, um volume de depósitos bastante superior ao dos demais bancos. "O mesmo se aplica ao Bradesco, que tem uma base expressiva de depósitos à vista." As significativas bases de clientes e de rede de agências desses bancos devem contribuir para a performance.Outro ponto que ainda não foi absorvido pelo mercado, na opinião da BES Securities, é a possível melhora da estrutura de captação do sistema financeiro. "A recuperação econômica e o aumento da renda deverão ampliar a capacidade de poupança." Esse fato, por conseqüência, deve implicar em um crescimento das captações de baixo custo.Ao mesmo tempo, explica Palhares, deverá ocorrer uma redução do incentivo à migração de recursos de depósitos à vista para fundos de curto prazo. Isso porque esses fundos deverão apresentar retornos negativos, já que terão menor remuneração e ainda sofrem o efeito da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).RecomendaçõesA BES Securities tem recomendação de compra para as ações de Unibanco e da Itaúsa. "Concluída a privatização do Banespa, o Unibanco passou a ser uma das peças mais importantes na continuação do processo de consolidação do setor bancário." O preço-alvo é de R$ 67,00 por lote de mil ações, com potencial de valorização de 16,52% em relação ao fechamento de quinta-feira.A Itaúsa, segundo o analista, é uma alternativa de investimento às ações do Itaú, que estão próximas de seu preço-alvo e, portanto, não oferecem potencial de ganho expressivo. "Devemos ressaltar que Itaúsa possui ótima liquidez e que o desconto está acima da média histórica." O preço-alvo é de R$ 2,68 por ação, com potencial de alta de 32,0% em relação à última quinta-feira.

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