Queda do compulsório não reduziu juros

O objetivo do governo com a redução do compulsório sobre os depósitos à vista de 55% para 45%, no início de junho, foi o aumento do volume de crédito. Com isso, as instituições financeiras teriam espaço para baixar os juros ao consumidor.Porém, uma pesquisa realizada pela Anefac - Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade - revela que isso, de fato, não ocorreu. No caso do cheque especial, considerada a linha mais cara de crédito, algumas instituições chegaram a aumentar os juros.Nessa linha de crédito, a maioria das instituições tem oferecido taxas máximas e mínimas para os empréstimos. No caso das taxas mínimas, 53% dos bancos não reduziram os juros. Em relação às máximas, 58% optou também pela manutenção. Mas, se considerarmos a taxa média, 36% das instituições elevaram os juros.Em relação às operações de crédito pessoal, as taxas máximas e mínimas foram mantidas por praticamente 75% das instituições. Ou seja, também nessa linha de crédito a redução do compulsório não favoreceu a queda dos juros ao consumidor. Volume de crédito não aumenta e juros continuam altos A Anefac considera que os anúncios feitos por bancos sobre tendência de queda em suas taxas de juros não passou de uma ação de marketing. Na verdade, o que a Associação constatou foi a manutenção dos juros em patamares muito elevados. O consumidor continua pagando taxas salgadas nas operações de crédito.Para se ter uma idéia, em um empréstimo no cheque especial, o consumidor paga 215,56% ao ano. No caso de um investimento em Certificado de Depósito Bancário (CDB), o banco paga ao investidor, em média, 13,40% ao final de um ano para pequenas quantias. Em relação ao aumento do volume de crédito, a Associação também verificou que o consumidor não foi beneficiado pela redução do compulsório. A Anefac acredita que a taxa básica de juros brasileira - Selic - ainda está muito alta. Os bancos tendem a investir o volume de dinheiro gerado com a queda do compulsório em títulos do governo, ao invés de ampliar a carteira de crédito aos clientes e correr o risco da inadimplência.

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