Queda do desemprego em SP não é tendência consolidada

A leve redução da taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo, que passou de 15% em abril para 14,8% em maio, interrompeu um período de três meses de avanço do nível de pessoas sem trabalho na região e surpreendeu os responsáveis pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Fundação Seade/Dieese. "Os efeitos da crise sobre a demanda agregada foram muito fortes e afetaram a nossa economia. Em função desses impactos, eu esperava o início da recuperação do mercado de trabalho alguns meses adiante", comentou o coordenador de análise do Seade, Alexandre Loloian. "Ocorreu no mês passado uma melhora na criação de vagas, o que está relacionado com a preservação dos rendimentos dos trabalhadores, aumento do salário mínimo e medidas fiscais adotadas pelo governo para estimular a venda de bens de consumo", destacou o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

23 de junho de 2009 | 16h06

Para os dois especialistas, contudo, apesar de as indicações apuradas em maio serem favoráveis, é prematuro avaliar que a partir de agora está consolidada uma rápida recuperação do nível de emprego na Grande São Paulo. "Pode ser que a criação de postos de trabalho nos próximos meses apresente forte oscilação", comentou Lúcio. Segundo ele, o fato de a indústria ter criado 30 mil postos na região no mês passado não significa que está garantido um movimento de inflexão no mercado de trabalho. "É cedo para avaliar que a criação de vagas em São Paulo vai repercutir logo na geração de empregos em fábricas de outras regiões do País", afirmou.

"Pode ser que o setor de vestuário tenha aumentado o ritmo de produção para atender à demanda de roupas de inverno. Mas ainda não se registra um progresso da atividade das indústrias de máquinas e equipamentos", disse Lúcio. Embora São Paulo tenha apresentado uma elevação da criação de postos de trabalho na indústria, ocorreu em maio queda da geração de vagas no setor nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife e no Distrito Federal.

Segundo a pesquisa realizada pela Fundação Seade/Dieese, um segmento produtivo que mostra um avanço significativo é o de construção civil. "Em maio, este setor apresentou expansão de 18% em um ano na região metropolitana de São Paulo", comentou Loloian. Segundo ele, reformas de residências são um dos elementos que estão provocando a arrancada do setor, que se beneficiou da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para materiais de construção.

Para Loloian e Lúcio, a recuperação do emprego na Grande São Paulo pode ocorrer aos poucos ao longo de 2009, especialmente com o aumento do consumo que deve ocorrer no terceiro e quarto trimestres. Segundo o coordenador de análise do Seade, a preservação da demanda interna em meio à forte recessão mundial é um fator de otimismo para a economia nacional nos próximos trimestres. "Cada vez mais se torna factível o Brasil ser um dos primeiros países a deixar para trás os efeitos da crise", comentou Loloian.

Na avaliação do diretor técnico do Dieese, as medidas anticíclicas adotadas pelo governo, sobretudo as fiscais, como a redução do IPI para a compra de carros, produtos da linha branca e materiais de construção, foram eficientes para estimular as compras das famílias e antecipar a reação do nível de atividade do País. Para Loloian, o estímulo tributário para a compra de automóveis também gera um "efeito demonstração" que sinaliza a consumidores e empresários que o Brasil não entrará numa recessão profunda, o que poderia abalar as expectativas dos agentes econômicos e provocar uma retração bem maior do nível de atividade.

Mas o especialista da Fundação Seade não acredita que deve funcionar o pacote de isenções fiscais que o governo deve anunciar nos próximos dias para atenuar os problemas enfrentados pelos fabricantes de bens de capital. "Tais medidas devem ajudar muito pouco. A compra de máquinas e equipamentos avança com o aumento do ritmo da Formação Bruta de Capital Fixo, o que só deve ocorrer mais adiante, quando a demanda interna estiver bem maior", comentou. Segundo ele, há a expectativa de que os investimentos públicos, especialmente os relacionados a obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), possam acelerar projetos de longo prazo de maturação, o que seria uma política oportuna para incrementar a geração de empregos e de renda no País.

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