Queda do diesel será de 8%, dizem revendedores

Setor contesta cálculo do governo de repasse de 9,6%

Nicola Pamplona, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

O repasse às bombas da redução do preço do diesel nas refinarias deve ser inferior aos 9,6% projetados pelo governo. A estimativa é de distribuidoras e revendedores de combustíveis, que consideram possível um repasse em torno de 8%. O anúncio de redução dos preços, feito anteontem à noite, surpreendeu o mercado, que vê uma tendência de alta nas cotações internacionais dos combustíveis. Segundo cálculos do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), o porcentual máximo de repasse para os mercados do Rio e de São Paulo ficarão em 7,5% e 8,9%, respectivamente. O vice-presidente executivo do sindicato, Alísio Vaz, diz que a conta considera os impostos cobrados e o preço médio do diesel nos postos dos dois Estados. No Rio, a redução pode ser de até R$ 0,15 por litro. Em São Paulo, de até R$ 0,18 por litro. "Não sabemos que critérios o governo usou para chegar àquele número, mas é importante alertar o consumidor que esse porcentual provavelmente não será atingido", diz Vaz, lembrando que outro agravante é o aumento da adição de biodiesel ao diesel vendido nos postos.De acordo com cálculos da Federação do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), a adição de um ponto porcentual a mais de óleos vegetais - a mistura passa de 3% para 4% de biodiesel - vai representar um aumento de 1% no preço final do produto. Isso porque o biodiesel é mais caro do que o diesel derivado do petróleo.O anúncio de redução nos preços da gasolina e do diesel surpreendeu o mercado, que esperava alterações apenas no segundo semestre. Para analistas, a medida reforça críticas sobre a falta de clareza na política de preços da Petrobrás, que diz acompanhar no longo prazo as oscilações das cotações internacionais. Nas últimas semanas, o mercado externo trabalhou em alta, por conta da proximidade com o verão americano, quando a demanda aumenta.O analista de energia Walter de Vitto, da consultoria Tendências, lembra que as cotações da gasolina e do diesel subiram 14,2% e 13,2%, respectivamente, no período entre 1º de maio e 7 de junho. A cotação do petróleo, por exemplo, saltou do nível de US$ 40 por barril no início do ano para US$ 70 no fechamento de ontem. O momento escolhido, para ele, indica "falta de clareza" na política de preços da estatal."Nossa expectativa era de que a empresa iria implementar esse reajuste no terceiro trimestre", comentou a analista de petróleo da corretora Ativa Mônica Araújo, em relatório enviado a clientes. Ela trabalhava com porcentuais menores de redução, de 7% para a gasolina e 10% para o diesel.Já o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) disse estranhar a "coincidência" do anúncio de queda dos preços às vésperas da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que mostrou queda de 1,8%, e da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da estatal. "Quando ninguém imaginava que a Petrobrás fosse reduzir os preços da gasolina e do diesel, já que o viés do preço do petróleo voltou a ser de alta, vem a surpresa."

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