Queda do dólar faz dívida cambial cair R$ 11 bilhões

A valorização de 6,2% do real frente ao dólar em março permitiu uma expressiva queda da parcela da dívida pública atrelada ao câmbio e reduziu o crescimento dos débitos em títulos do governo. De acordo com dados divulgados hoje pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central, a dívida cambial caiu R$ 11,41 bilhões de fevereiro para março. Os débitos do governo em títulos ficaram em R$ 649,7 bilhões, um crescimento de apenas 0,75% no período.Em setembro do ano passado, durante o período de maior desconfiança dos investidores com a economia brasileira, a parcela de débitos atrelada à variação cambial chegou a 40,67% da dívida. Até o dia 17 deste mês, a parcela de débitos cambiais estava em 32% da dívida.A valorização do real em março também garantiu um ganho para o BC nas operações com contratos de seguro contra variações cambiais, os chamados swaps. Como as instituições financeiras que adquiriram esses contratos apostavam numa alta do dólar, a queda da cotação acabou provocando um ganho de R$ 7,6 bilhões para o BC de março até o dia 22 deste mês. Nos dois primeiros meses do ano o BC havia registrado uma perda de R$ 4,8 bilhões para os bancos com essas operações.Apesar dos efeitos positivos da queda do dólar, os débitos em títulos do governo cresceu 0,75% em março. Dois fatores justificam esse aumento, segundo o coordenador-geral de Administração da Dívida Pública do Tesouro, Paulo Valle: os juros e a emissão de novos títulos da dívida pública. A boa recepção do mercado aos papéis do governo proporcionou mais uma queda no volume de vencimentos nos próximos 12 meses. Essa dívida de curto prazo, que correspondia a 39,41% dos débitos mobiliários em fevereiro, caiu para 37,62% em março. O volume de títulos com vencimentos em 12 meses em relação ao total da dívida é um dos mais importantes indicadores observados pelas agências internacionais de classificação de risco. A crise do ano passado fez com que o volume de vencimentos de até 12 meses atingisse o patamar histórico de 41,10% da dívida.

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