Queda do dólar preocupa economista

O economista José Pio Borges, ex-presidente do BNDES e atual conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), está preocupado com a queda do dólar. Entrevistado no programa Conta Corrente, da Globo News, considerou que a apreciação do real pode estar sendo exagerada demais, devido, segundo entende, a um fator que considerou perigoso: o excesso de entrada de capitais especulativos de curto prazo, que estão sendo atraídos pelos juros brasileiros de 26,5% ao ano, contra os 1,5% pagos nos Estados Unidos.O conselheiro do Cebri deu como exemplo a ser analisado pela equipe econômica do governo Lula o comportamento da Coréia do Sul e do Japão, que sempre mantiveram suas moedas subvalorizadas em relação ao dólar. "O Japão, depois da Segunda Guerra Mundial, manteve durante 50 anos o câmbio subvalorizado, e só o valorizou sob pressão dos Estados Unidos." Para ele, países em desenvolvimento não podem ser dar ao luxo de ter uma moeda forte, o que inibe suas exportações.Macro e microJosé Pio Borges também se disse preocupado com a drástica redução de investimentos externos diretos no País e, neste ponto, considerou que o governo Lula está falhando na chamada microeconomia. "A principal crítica que se tem é que ele acertou no macro e errou no micro." E reiterou sua preocupação: "O dinheiro que está vindo para a Bolsa é um dinheiro de curto prazo, é um dinheiro para aproveitar a taxa de juros." Mas admitiu que essas entradas têm um lado positivo: abaixou a taxa do dólar e, com isso, haverá reflexos positivos na inflação, como a queda com os gastos na importação de petróleo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.