Queda do emprego indica recuo rápido da indústria

Os indicadores do emprego na indústria, divulgados ontem pelo IBGE, confirmam os piores prognósticos acerca do comportamento do setor secundário: caíram o número de empregados, a folha de pagamentos e as horas trabalhadas. Se para as empresas a situação é ruim, ela é pior para muitos trabalhadores que, para manter um emprego formal, têm de aceitar os salários em geral mais baixos oferecidos pelo setor de serviços.

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2014 | 02h04

Entre agosto e setembro, o pessoal ocupado na indústria caiu 0,7% - e o indicador vem caindo sem interrupção há seis meses, período em que acumulou um saldo negativo de 3,5%. Entre setembro de 2013 e setembro de 2014, a queda do emprego industrial foi de 3,9% e, pelo mesmo critério de comparação, a queda é ininterrupta há nada menos que 36 meses. Entre janeiro e setembro, comparado a igual período de 2013, houve recuo de 2,8%, e de 2,6% em 12 meses até setembro, sobre os 12 meses anteriores. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) já estima que a queda anual do emprego atingirá 2,8%.

O recuo é generalizado, alcançando 13 dos 14 locais pesquisados. São Paulo lidera a queda (-4,7%, neste ano), com redução de pessoal em 16 de 18 atividades, mas os números também foram negativos em outros Estados altamente industrializados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

O número de horas pagas caiu 0,2% no mês e 4,2%, entre setembro de 2013 e setembro de 2014, e a folha de pagamento real em valor ajustado sazonalmente diminuiu 1,3% e 3,5% nos mesmos períodos. Mas, se, entre agosto e setembro, houve queda de 0,9% na folha per capita, nos últimos 12 meses ainda ocorreu alta real - de 2%, comparativamente aos 12 meses anteriores, e de 2,8%, entre janeiro e setembro deste ano, comparada à de igual período de 2013. Essa é uma evidência de que a escassez de empregados altamente qualificados está levando as indústrias a pagar salários mais altos para reter seus melhores quadros.

Entre os segmentos que mais cortaram pessoal estão produtos de metal, máquinas e equipamentos e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações. A indústria de bens de capital declina, pois os investimentos - que deveriam ocupar o lugar dos gastos com consumo como indutores do crescimento - estão contidos. Os indicadores justificam a apreensão quanto ao futuro da indústria de manufaturas, mais do que a extrativa, em que a queda do emprego é menor.

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