Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Queda do juro real permite financiar concessões, mesmo com entrada da TLP

De acordo com o chefe do departamento de Logística do BNDES, Cleverson Aroeira, queda das taxas reais de juros para a casa dos 3% a 4% ao ano dá condições de sustentação financeira às concessões de rodovias

Lu Aiko Ota, Broadcast

12 Setembro 2017 | 17h41

BRASÍLIA - A queda das taxas reais de juros para a casa dos 3% a 4% ao ano dá condições de sustentação financeira às concessões de rodovias, disse nesta terça-feira, 12, o chefe do Departamento de Transportes e Logística do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Cleverson Aroeira, durante a 10ª edição do Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões, promovida pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

Segundo explicou o executivo, o banco simulou o que ocorreria com as concessões fossem financiadas sem a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), e com o uso da taxa Selic. “Precisaria subir um pouco a tarifa de pedágio, mas não seria nada absurdo”, disse ele. “Quer dizer que podemos continuar com a TLP, que as concessões continuam em pé.”

Isso não quer dizer, porém, que o banco não vai mais financiar as concessões. Mas a constatação deixa no ar que há espaço para uma maior participação dos bancos privados.

Participante de um painel sobre financiamento das concessões, Aroeira questionou aos representantes dos bancos privados se eles estariam dispostos a financiar as concessões, caso o BNDES limitasse seus empréstimos a 20% dos itens financiáveis das concessões, em vez dos 50% atuais.

O diretor de Project Finance do Santander, Edson Nobuo Ogawa, disse que hoje o mercado financeiro está bastante líquido e os bancos precisam aumentar suas carteiras. “Estamos num momento de inflexão e, de 2018 para frente, vemos um novo momento”, disse.

Esse quadro, ressalvou, não muda as restrições de alocação de capital dos bancos. “Não vejo bancos privados financiando com recursos próprios por 15, 18 anos”, disse. A principal restrição é a ausência de um mercado secundário que permita às instituições financeiras “girar” sua carteira. E a criação de um mercado secundário é, no momento, um dilema de ovo e galinha, segundo comentou. 

Diante dessa resposta, a conclusão a que Aroeira chegou é que a responsabilidade pelo financiamento das concessões continuará sobre o BNDES. Ele disse que há recursos para fazer os empréstimos. “Mas não vou discutir sobre o que acontece com a devolução de recursos ao Tesouro Nacional”, afirmou.

A economista-chefe do banco XP, Zeina Latif, disse no painel que a concessão de empréstimos subsidiados “deu errado” para o setor de infraestrutura, pois a taxa de investimento não passou de 2,5% no melhor período. “Não deixamos legado algum”, frisou. “O que foi investido tem retorno questionável.”

Ela afirmou que o crédito subsidiado foi usado para compensar os riscos políticos, regulatórios e ambientais existentes nas concessões. “E estão reclamando da mudança da TJLP para TLP, em vez de discutir a agenda para reduzir o risco da infraestrutura”, criticou.

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