Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Queda do petróleo pode afetar investimentos em exploração no Brasil, diz Banco Mundial

Estudo alerta que a produção no México, EUA e Canadá também podem ser afetada pelo novo patamar de preço da commodity

Altamiro Silva Junior, correspondente da Agência Estado

07 de janeiro de 2015 | 19h40

Os preços mais baixos do petróleo podem comprometer novos investimentos para a exploração do produto em locais menos tradicionais, como nas bacias marítimas de águas profundas do Brasil e México e também em fontes não convencionais, como a do gás de xisto nos Estados Unidos, alerta o Banco Mundial em um estudo divulgado nesta quarta-feira avaliando perspectivas para a economia mundial.

"Preços mais baixos do petróleo podem colocar especialmente em risco projetos de investimento em países de menor renda, como Moçambique, ou de fontes não convencionais, como gás de xisto e bacias marítimas profundas, especialmente no Brasil, México, Estados Unidos e Canadá", afirma o relatório.


No caso do Brasil, se há o risco de os investimentos serem afetados, o Banco Mundial destaca que há também um fator positivo da queda das cotações. Na medida em que o país importa petróleo, a redução do preço do barril da commodity deve ajudar a baixar a inflação e o déficit da conta corrente. A deterioração recente destes indicadores em países como Brasil, Indonésia, África do Sul e Turquia, destaca o relatório, tem sido uma fonte importante de vulnerabilidade.

O Banco Mundial avalia que os preços do petróleo devem continuar baixos em 2015 e a manutenção desse cenário de baixas cotações deve estimular o crescimento mundial. Estudos citados no relatório indicam que pode ocorrer uma expansão adicional de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) da economia mundial, embora não de forma homogênea, com alguns países como Estados Unidos e China com impacto mais positivo.

Renda. Com preços baixos, deve ocorrer uma "transferência significativa de renda" dos países exportadores da commodity para os importadores, que terão despesas menores com as importações do produto. No geral, a maioria dos países emergentes e em desenvolvimento deve se beneficiar da queda, afirma o estudo, com a ressalva de que estes mercados podem ter que lidar com custos mais altos de financiamento, por conta da esperada elevação dos juros nos Estados Unidos.

A recomendação dos técnicos da instituição é que alguns países, sem citar nomes, aproveitem este momento para melhorar "rapidamente" indicadores das contas públicas e "reconstruir amortecedores fiscais". "Muitos países em desenvolvimento têm hoje menos espaço fiscal do que antes da crise de 2008", ressalta o estudo.

No caso dos exportadores de petróleo, como Rússia e Venezuela, o Banco Mundial alerta que as consequências da queda dos preços podem ser danosas, com menor perspectiva de crescimento do PIB e deterioração de indicadores fiscais e das contas externas. O diretor do Banco Mundial, Ayhan Kose, afirma no documento que a vulnerabilidade nestes mercados pode aumentar. Estudos empíricos mostram que o PIB dos países exportadores pode ter impacto negativo de 0,8% a 2,5% no ano seguinte a uma queda de 10% nos preços do petróleo.

A queda desde junho do preço do petróleo, que já supera os 50%, é reflexo de vários fatores, avaliam os economistas no relatório, sobretudo do crescimento da oferta da commodity nos últimos anos, enquanto a demanda tem sido mais fraca por conta do crescimento aquém do esperado em várias economias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.