Daniel Teixeira/ Estadão - 18/5/2019
Daniel Teixeira/ Estadão - 18/5/2019

Queda do PIB agropecuário foi compensada pelo aumento dos serviços e da construção civil

Para 2022, PIB vai depender da 'queda de braço' entre efeitos negativos da reação dos investidores ao aumento do teto de gastos e do aumento de demanda decorrente da euforia pela volta à normalidade

José Márcio Camargo*, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2021 | 04h00

O Produto Interno Bruto (PIB) da economia brasileira caiu – 0,1% no terceiro em relação ao segundo trimestre de 2021. É o segundo trimestre consecutivo de queda do PIB, o que, para alguns economistas, caracterizaria uma “recessão técnica”. Este resultado negativo foi concentrado na agropecuária, que caiu – 8% no trimestre, devido a fatores climáticos. Apesar do dado agregado negativo, a composição mostrou um comportamento relativamente positivo, com crescimento da construção civil, dos serviços e da taxa de investimentos.

Apesar do segundo trimestre consecutivo de desempenho negativo do PIB, paradoxalmente os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram um mercado de trabalho bastante aquecido. Segundo a PNADC, em cada um dos dois últimos trimestres móveis (junho a agosto e julho a setembro) foram gerados mais de 3,5 milhões de postos de trabalho na economia brasileira. Nos nove primeiros meses de 2021 foram gerados mais de 9 milhões de postos de trabalho. E a taxa de desemprego caiu de 14,9% para 12,6% da força de trabalho. O Caged mostrou que no mês de outubro foram criados 253 mil empregos formais e que, em 2021, já foram criados mais de 2,5 milhões de empregos formais.

Este aparente paradoxo, queda do PIB e desempenho positivo do mercado de trabalho, decorre exatamente da composição do desempenho do PIB. A construção civil (3,9%), o setor de serviços (1,1%) e, em especial, o setor de outros serviços (4,8%), que inclui serviços prestados às famílias, foram os que mais cresceram no trimestre. Um resultado da redução do número de novos casos e de óbitos em decorrência da pandemia, o que tem permitido uma diminuição das restrições à mobilidade urbana e à convivência social. Como são setores intensivos em mão de obra, ao contrário da agropecuária, a queda do PIB agropecuário foi mais que compensada pelo crescimento dos serviços e da construção civil, ao menos no que se refere à geração de emprego.

Para 2022, o comportamento do PIB vai depender da “queda de braço” entre os efeitos negativos da reação dos investidores ao aumento do teto de gastos (aumento da taxa de juros, desvalorização cambial e queda dos preços das ações) e, caso o comportamento da pandemia continue em trajetória positiva e a nova variante (Ômicron) não gere novos retrocessos, o aumento de demanda decorrente da euforia gerada pela volta à normalidade pós-pandemia. 

*PROFESSOR TITULAR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-RIO, É ECONOMISTA-CHEFE DA GENIAL INVESTIMENTOS

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