Queda do PIB deve aumentar pressões contra modelo econômico

A queda do ritmo de crescimento da economia com redução de emprego deverá trazer reflexos negativos para o prestígio do governo, aumentando as pressões contra a política econômica. "Se a economia andar mal, o efeito sobre a aprovação do governo vai cair drasticamente", previu o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Luiz Gonzaga Belluzzo. "É claro que, do ponto de vista político, vão se adensar as pressões contra a política econômica, sobretudo se tivermos um outro trimestre parecido com este", alertou, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". "E vai ficar muito difícil para o governo administrar."O economista disse que o Banco Central (BC) deixou o dólar cair "excessivamente", para auxiliar no combate à inflação, e agora o governo se colocou numa "sinuca de bico", pela dificuldade em reverter essa situação. "Isso seria muito ruim para a economia e poderia causar surpresas desagradáveis, quando a taxa de câmbio se movesse na direção contrária", frisou. "Há um risco de a taxa de câmbio subir muito rapidamente e afetar a inflação."Belluzzo explicou que o erro do governo foi ter feito a combinação juros/câmbio, que não pode ser alterada sem conseqüências negativas para a economia. O economista previu que, caso o BC ceda às pressões e decida reduzir os juros rapidamente, haverá reflexos no câmbio e na inflação. "(A rápida redução dos juros) vai produzir um efeito negativo sobre o câmbio", salientou. "Da mesma maneira que a taxa de câmbio está sendo usada para ajudar no combate à inflação, se ele (BC) baixar a taxa de juros, obviamente vai provocar efeitos sobre os preços."

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