Queda do preço do petróleo não evitará aumento da gasolina

O recuo do preço do barril de petróleo no mercado internacional nos últimos dias é considerado insuficiente por analistas para que a Petrobras deixe de reajustar o preço dos combustíveis no mercado interno. No início da tarde de hoje, o preço do barril do óleo era de US$ 47,18. A questão é que o tão esperado aumento não veio até o dia 15, conforme aguardava a maior parte do mercado. Segundo cálculos de Wagner Marchiori, diretor financeiro do BMC, a necessidade de reajuste dos preços dos combustíveis no mercado doméstico ante os externos é de 5% da gasolina na bomba e de 20% no caso do diesel. "Quanto mais demorar para alinhar estes preços, mais haverá a contaminação da inflação de 2005", alerta o economista. Vale lembrar que as expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do próximo ano - em 5,90%, segundo a pesquisa Focus divulgada nesta manhã - já estão bastante deterioradas em relação ao centro da meta ajustada pelo BC (5,1%). Ele salientou que, no mercado internacional, o preço do produto está recuando, mas ainda muito pouco para que o repasse não atinja o mercado brasileiro. Avaliação semelhante tem o consultor Luiz Carlos Costa Rego, da Costa Rego & Associados. Ele ressaltou, no entanto, que a decisão do reajuste é muito difícil, já que de um lado trata-se de uma empresa que conta com acionistas que têm como objetivo claro a obtenção de lucro e, de outro, por ser uma companhia estatal, pode contribuir para não pressionar a inflação com elevações de preços. Petróleo e decisão sobre juros A ligação entre o que a Petrobras fará e a resposta da autoridade monetária é tão forte, na opinião do economista Alexsandro Agostini, da GRC Visão, que ele tem três apostas para a decisão mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic, a taxa básica de juros da economia. Para ele, se os preços forem reajustados modicamente (em até 7% nas refinarias) até o dia da reunião do Copom deste mês, a Selic subirá 0,25 ponto porcentual em dezembro. "Isto significa que um outro reajuste virá e que haverá um novo impacto sobre a política monetária", avaliou. No caso de o aumento não vir até o início de dezembro, mas ficar acima de 10% quando entrar em vigor, o Copom manterá a taxa de juros até que o comportamento do mercado possa ser avaliado. A terceira hipótese, a de que o reajuste não virá este ano, considera uma elevação da Selic de 0,50 ponto porcentual no último mês do ano. Neste caso, segundo ele, o BC precisará evitar uma contaminação mais forte. "A questão é que, como a própria ata do Copom de outubro trouxe, o aumento pode ser postergado, mas não adiado", finalizou Agostini.

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