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Queda do saldo comercial deixa o governo em alerta

Fazenda já estuda medidas para estimular exportações, mas reconhece que resultados só viriam no médio prazo

Adriana Fernandes e Fábio Graner, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Apesar do discurso público ainda otimista do governo sobre o comportamento da balança comercial e das contas externas, a equipe econômica está preocupada com a queda do ritmo de crescimento das exportações e estuda medidas para estimular a expansão das vendas externas no médio prazo. No curto prazo, admite o governo, não há muito espaço para ação porque medidas nessa área levam tempo para apresentar resultados práticos. Novas desonerações tributárias estão suspensas por causa da perda de arrecadação com o fim da CPMF.A avaliação é de que a deterioração do saldo da balança comercial, com o aumento mais forte das importações e redução do crescimento das vendas externas, está mais rápida do que se esperava. O quadro pode se agravar com a confirmação de um cenário de desaceleração maior da economia mundial - com recessão nos Estados Unidos -, o que reduziria a corrente de comércio global. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o risco de a balança comercial registrar em "algum momento" do ano déficit no saldo não pode deixar de ser considerado. A última vez em que isso ocorreu foi em março de 2001. "O governo tem de se antecipar com medidas para acelerar a expansão das exportações", disse uma fonte do Ministério da Fazenda.A principal preocupação é com a diferença cada vez maior entre a taxa de crescimento das exportações e a das importações. Os dados de janeiro evidenciam o quadro, com as exportações crescendo 20,9% e as importações, 45,6%.Em entrevista ao Estado, sexta-feira, o secretário de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, confirmou os estudos que visam a encontrar uma forma de estimular as exportações."Estamos estudando formas de estimular o crescimento mais acelerado das exportações no médio prazo. Essa não é uma discussão de curto prazo", disse. O trabalho vem sendo feito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O principal objetivo é aumentar a participação do Brasil no comércio mundial, hoje em torno de 1,1%. A previsão inicial de aumentar o valor para 1,30%, no entanto, se tornou mais difícil com o quadro de incertezas no cenário internacional, admitiu Barbosa. As medidas em estudo, segundo ele, deverão ter como foco o desempenho nos próximos anos, quando já estiver claro o quadro externo, que tem papel relevante nas vendas ao exterior. Barbosa disse que, por ora, por conta do fim da CPMF, projetos de desoneração tributária para estimular investimentos voltados à exportação estão suspensos e eventuais medidas serão voltadas a financiamento.Nos três cenários preparados pela Fazenda para medir o impacto da crise internacional na economia brasileira, a balança perderia força em 2008. No mais pessimista, o dólar subiria para R$ 2,15.

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