Wu Hong/EFE
Wu Hong/EFE

Queda do yuan mostra desafios da China, diz Fitch

BC chinês afirmou nesta quinta-feira que manterá moeda em ‘nível de equilíbrio razoável’, mas analista prevê desvalorização de 10% em um ano

O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 21h55

A agência de classificação de risco Fitch disse nesta quinta-feira que a desvalorização do yuan, a moeda chinesa, em mais de 3% em relação ao dólar desde a terça-feira é uma mostra tanto da pressão sobre a economia da China como do compromisso das autoridades com reformas orientadas para o mercado. Na avaliação da agência, o processo de reforma é voltado para combater “fraquezas estruturais não resolvidas” do país. Segundo a Fitch, permitir que os mercados tenham mais liberdade nesse contexto traz riscos, mas o cálculo das autoridades parece ser de que os riscos de não fazer nada seriam maiores.

Para alguns analistas, a decisão do Banco do Povo da China (PBoC, o banco central do país) de desvalorizar o yuan foi tomada como uma forma de combater qualquer ameaça de deflação e também para melhorar o fluxo de capitais com o exterior. Nesta quinta-feira, o BC chinês garantiu, porém, que manterá a moeda em um “nível de equilíbrio razoável” e se comprometeu a garantir um fluxo de capitais “ordenado”.

O analista Angus Nicholson, da IG Markets, afirmou que o yuan poderia depreciar 10% ou mais ao longo dos próximos 12 meses. O PBoC, porém, rechaçou as especulações de que a desvalorização poderia chegar a 10%. Mesmo assim, segundo Nicholson, as pressões deflacionárias e as condições monetárias cada vez mais apertadas devem forçar novamente o BC chinês a agir em algum momento. “Muita gente no mercado está especulando que isso é primariamente para fortalecer as exportações e estimular uma economia que desacelera. Ainda que isso sem dúvida ajude, a preocupação principal para o governo é a deflação”, disse.

O secretário do Tesouro da Austrália, Joe Hockey, disse que a intenção do banco central chinês é “facilitar maiores fluxos de capital”. A declaração foi dada após ele conversar com autoridades chinesas.

O economista Julian Evans-Pritchard, da Capital Economics, disse que as declarações desta quinta-feira do PBoC mostram que a desvalorização desta semana foi um evento pontual, e não uma tentativa de realizar uma depreciação competitiva em grande escala. Segundo o analista, ainda que o yuan possa cair um pouco mais nos próximos dias, a maior parte da depreciação já ocorreu.

Medidas. Em comunicado, o PBoC afirmou nesta quinta-feira que tem capacidade de manter o yuan estável, ao mesmo tempo em que se compromete a abrir os mercados de câmbio do país para investidores estrangeiros. O banco afirmou que a “ampla” reserva de moedas estrangeiras da China, boas condições fiscais e um sistema financeiro saudável dão grande suporte para uma taxa de câmbio estável. Mais uma vez, o BC da China negou haver qualquer base econômica para a contínua desvalorização do yuan.

Além disso, o PBoC admitiu a possibilidade de uma grande fuga de capitais do país, e por isso, se comprometeu a garantir um fluxo de capitais “ordenado”. Também anunciou medidas para desenvolver os mercados de câmbio internacionais. O país deverá abrir seus mercados de câmbio, atualmente dominados por bancos locais, para instituições estrangeiras “qualificadas”. / GABRIEL BUENO DA COSTA, COM DOW JONES NEWSWIRES 

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