Queda dos juros é decisão política, diz Alencar

O presidente em exercício, José Alencar, disse hoje que é preciso uma decisão política para o País voltar a crescer. "Isso não é decisão para economista, é uma decisão para políticos", afirmou. "Do ponto de vista dos juros, é uma decisão para ser tomada na esfera política, porque tecnicamente tem dado errado". Alencar fez essa afirmação em entrevista logo após receber, no Palácio do Planalto, o presidente em exercício do Senado, senador Paulo Paim (PT-RS). Poucos minutos depois de José Alencar dar essas declarações em Brasília, em Genebra o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou que ?o BC não pode funcionar de acordo com critérios de avaliação política partidária?.Cruzada O presidente em exercício defendeu uma "cruzada pela redução dos juros". "Eu acho que é uma cruzada importante. Se o Brasil inteiro se unir daremos uma grande contribuição ao País", disse Alencar, que já na semana passada tinha defendido essa proposta. Alencar disse que não tem intenção de "puxar a orelha" do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por conta da manutenção da taxa Selic. "Eu não tenho vocação de puxar a orelha de ninguém. Nem dos meus filhos, nem dos meus netos". Para o presidente em exercício "é um absurdo o que está acontecendo" com os juros. "A taxa básica de juros mata a economia", afirmou. Segundo ele, o país corre o risco de pagar em juros um terço da carga tributária. "Isso não é apenas um despropósito, é um assalto.Tome nota disso: nunca houve na história do Brasil maior transferência de renda oriunda do trabalho em benefício do sistema financeiro", disse. "Eu nem sei como é que o Brasil está aí", afirmou Alencar. Nenhuma reclamação de LulaAlencar disse que não recebeu nenhuma reclamação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suas declarações em defesa da redução da taxa Selic. Segundo ele, a imprensa é que interpretou que Lula teria reclamado. "Ele (Lula) sabe que sou não apenas aliado mas admirador dele. O Lula é um homem de bem e está tão preocupado quanto nós com a retomada do crescimento e sabe que com essas taxas de juros o Brasil não pode retomar esse crescimento", acrescentou. Alencar admite que a inflação é um grande mal, mas disse que ela não voltaria se o País retomasse o crescimento. Para ele a ameaça da deflação "que atinge o mundo inteiro", é mais grave. Com relação ao Comitê de Política Monetária, responsável pela definição da taxa Selic, José Alencar não quis fazer comentário. "Porque dizem que as taxas de juros não baixaram no mês passado, porque eu falei. Então, por pirraça, não baixaram", disse Alencar, acrescentando que a partir de agora vai defender a manutenção ou o aumento da Selic numa estratégia para ver se o Copom tomará uma decisão diferente.

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