Queda dos juros nos EUA pode segurar câmbio, diz economista

Juros mais altos vão trazer dólares de volta para o Brasil, diz consultor Francisco Pessoa.

Denize Bacoccina, BBC

22 de janeiro de 2008 | 21h30

O aumento da taxa de juros nos Estados Unidos - de 3,5% para 4,25% - pode atrair para o país investimentos que ajudariam o Brasil a manter o dólar desvalorizado mesmo se a crise nos Estados Unidos levar a uma desaceleração da economia mundial, na avaliação do economista Francisco Pessoa, da consultoria LCA."O diferencial de juros vai tornar o real atraente de novo", afirma o economista.A LCA projeta um dólar de R$ 1,70 no fim do ano, menor do que a cotação atual, o que reduziria o risco de pressões inflacionárias, hoje uma das maiores preocupações do governo.As expectativas do mercado para este ano, de 4,37%, já estão próximas ao centro da meta do governo, de 4,5%.InvestimentosO raciocínio do economista é que o efeito inicial da crise nos mercados internacionais seria uma aversão ao risco nos investimentos e uma fuga de papéis brasileiros para títulos do governo americano, em busca de proteção, o que poderia pressionar o dólar no país.Depois de um tempo, no entanto, no caso de a crise não se aprofundar, o diferencial de juros traria os investimentos de volta ao Brasil, reduzindo a cotação do dólar no país.O dólar a R$ 1,70, na avaliação dele, abre espaço para uma queda de juros no segundo semestre, depois de afastado o risco de inflação.O impacto da crise dos mercados financeiros no Brasil, diz ele, vai depender do tamanho da desaceleração americana e do impacto em outros países paras os quais o país exporta.CommoditiesAlém de atingir diretamente as exportações para os Estados Unidos, o crescimento menor pode influenciar também as vendas para outros países que exportam para os americanos, como Chile e Argentina. "Tem o impacto direto do Brasil e tem o impacto indireto causado pelos Estados Unidos aos seus outros parceiros comerciais", diz ele.Os preços das commodities agrícolas, que já subiram 50% nos últimos 12 meses, devem se manter mesmo com uma crise, na avaliação do economista.Ele acha que outros fatores vão continuar pressionando os preços de produtos exportados pelo Brasil, como o programa de etanol de milho nos Estados Unidos - que pressiona a soja."A dinâmica dos preços agrícolas responde a outros fatores que vão além do nível de atividade mundial", diz Pessoa.RecessãoO economista acha exageradas as avaliações sobre a gravidade da crise nos Estados Unidos, e diz que embora os número recentes sobre a economia americana sejam piores do que se esperava, ainda não permitem falar em recessão."O pânico, o medo da recessão, se espalhou. E isso aumentou as chances de ter uma recessão, porque as pessoas adotam posturas mais defensivas. O consumidor pára de comprar, o empresário pára de investir. E este medo acaba tendo um impacto real", afirmou.O Brasil tem hoje mais resistência a uma crise do que nas crises anteriores, nos anos 90 e início de 2000, diz. Mas ele acha que ainda é muito cedo para afirmar que o país passará por ela ileso."Não dá pra dizer que a gente não vai ser afetado porque hoje rigorosamente ninguém sabe o tamanho da crise", afirma.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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