Queda dos preços do petróleo afeta a soja

Grão tem valor maisbaixo em seis anos. FAO alerta que os preços de alimentos são os menores desde 2000

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2015 | 02h05

A queda dos preços de petróleo afeta a soja, que registra seu valor mais baixo em seis anos. O alerta é da FAO que revela que os preços de alimentos chegam a seu nível mais baixo desde 2010 e a tendência é de que continuarão a cair em 2015 diante de uma safra recorde de grãos e de estoques elevados. Em janeiro, o índice internacional de preços de alimentos ficou 1,9% abaixo dos níveis de dezembro.

Segundo a FAO, os preços vem caindo de forma constante desde abril de 2014, o que representa uma pressão extra sobre a balança comercial brasileira e para a renda do setor agrícola, dependente das exportações.

Hoje, o índice global de preços de alimentos da FAO está em 182,7 pontos, o mais baixo em cinco anos. O cálculo é produzido a partir dos valores médios dos cinco maiores grupos de commodities: cereais, carne, leite, óleo vegetal e açúcar.

"Preços baixos refletem uma expectativa de uma produção forte", indicou a FAO.

Uma das maiores quedas de fato foi registrado no setor de cereais, com redução de 3,6% em janeiro em relação a dezembro. Em comparação aos níveis de 2008, os cereais estão com preços 34% abaixo daquele ano.

Um dos principais fatores foi o amplo abastecimento. Segundo a FAO, as taxas de estoque estão 50% acima dos níveis de 2008, enquanto a safra de cereais para 2014 bateu recorde, com 2,5 bilhões de toneladas.

Para 2015, a safra de inverno de trigo no hemisfério Norte se beneficiou de um clima positivo e uma área plantada maior na América do Norte, compensando a queda de produção na Rússia. Os estoques para o ano devem ficar em 623 milhões de toneladas, 8% superior aos volumes de 2014. Os estoques de trigo e milho devem crescer, enquanto o de arroz deve sofrer uma queda.

Mas o resultado de uma produção recorde, abundância de oferta e de uma economia mundial que patina pode ser uma situação rara no mercado. Pela primeira vez em mais de dez anos, a proporção entre o estoque e o uso dos cereais aumentará para 25%, bem acima da média histórica.

Soja. No setor da soja, a queda do índice em janeiro foi de 2,9% e o segmento de óleos vegetais está em seu nível mais baixo desde outubro de 2009.

"A queda foi em grande parte produzida pelo amplo estoque de óleo de soja e queda nos preços de petróleo, que causaram uma erosão na atratividade de usar óleos vegetais para o biodiesel", explicou a FAO. O impacto vai muito além do Brasil e atinge principalmente os EUA.

Outros setores também foram afetados pela queda. No segmento de carnes, a redução do índice em janeiro foi de 1,6%, em parte liderado pelo Brasil no setor de frango e carne suína, em abundância no mercado. No caso do leite, o setor já sofreu uma redução de 35% desde janeiro de 2014. O índice para o açúcar, porém, se manteve estável.

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