Queda mais acentuada das vendas no varejo

Tanto o volume de vendas quanto a receita nominal do comércio varejista apresentaram, em fevereiro, resultados muito fracos e inferiores aos esperados pelos analistas. A queda do volume foi de 0,1%, comparativamente a janeiro, descontados os efeitos sazonais, e a receita de vendas cresceu apenas 0,7%, abaixo da inflação mensal de 1,22%. E o mais grave é que não existem, hoje, fatores que justifiquem algum otimismo quanto a uma recuperação no horizonte dos próximos meses.

O Estado de S.Paulo

15 Abril 2015 | 02h04

A desaceleração da massa salarial, o enfraquecimento do mercado de trabalho e a desconfiança dos consumidores determinaram maior cautela nas decisões de compra, tanto de produtos de alto valor quanto de itens de consumo imediato.

Das 10 atividades contempladas pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 3 mostraram resultados mensais positivos: outros artigos de uso pessoal e doméstico; livros, jornais, revistas e papelaria; e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria. As explicações mais prováveis são o início do ano letivo e a primazia dos gastos com a saúde, às vésperas de uma nova rodada de aumentos dos preços dos medicamentos.

Em alguns casos, as quedas de vendas eram previsíveis, como a do comércio de combustíveis após a alta dos preços da gasolina e do diesel (-5,3% mensal e -10,4% na comparação com fevereiro de 2014). Ou, ainda, a das vendas de veículos e motos, partes e peças, que caíram 3,5% no mês e 23,7% em relação a fevereiro de 2014; e a do comércio de material de construção (recuos de 0,7% e de 13%, respectivamente). De fato, a compra de bens não essenciais depende das sobras de salário ou da confiança no emprego e na renda.

Mas o comportamento foi ruim até nas vendas dos hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com queda mensal do volume de vendas de 0,2%.

Em anos anteriores, os acréscimos de renda decorrentes da correção do salário mínimo e das aposentadorias ajudavam a manter em alta as vendas no primeiro trimestre. Em 2015, não apenas essas correções foram pequenas (ou mesmo inferiores à inflação), como o ajuste dos preços administrados obrigou as famílias a deslocar recursos que seriam consumidos para pagar as tarifas de energia, ônibus e água.

E, afinal, não há mais um dólar desvalorizado para estimular as importações de bens de consumo.

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