Queda na produção afeta o setor de bens de capital

Para o IBGE, redução por quatro meses seguidos na fabricação de caminhões tem efeitos sobre toda a cadeia

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h06

Embora venha se recuperando na margem, o subsetor de caminhões e ônibus registrou quedas de dois dígitos na produção por quatro meses consecutivos, puxando para baixo o setor de bens de capital, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O segmento de caminhões começou 2012 com uma queda de 65,5% em janeiro, seguida por perdas também em fevereiro (-34,6%), março (-14,3%) e abril (-23,7%), sempre na comparação com o mesmo mês do ano passado. "Isso impactou nos bens de capital", ressalta Fernando Abritta, analista da Coordenação de Indústria do IBGE.

Em janeiro, a produção de bens de capital recuou 13,1% em relação ao mesmo mês de 2011. Assim como ocorreu com a produção dos caminhões, a categoria ainda experimentou novas quedas em fevereiro (-16,0%), março (-6,2%) e abril (-4,1%), sempre na mesma base de comparação.

O resultado foi uma redução nos investimentos no primeiro trimestre de 2012. Como a aquisição de caminhões é classificada como investimento, a redução tanto nas vendas quanto na produção levou a uma queda de 2,1% na Formação Bruta de Capital Fixo no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2011.

"Caminhões é praticamente tudo investimento. Então, isso afetou negativamente nos investimentos", explica Rebeca Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE.

Retomada. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, admite que o desempenho do segmento nos primeiros meses deste ano é fator de preocupação. Mas também aposta que as medidas de estímulo do governo ao setor automotivo vão levar a indústria de caminhões a uma retomada das vendas e da produção a partir de julho. "Dentro de 30 a 60 dias vão aparecer os efeitos dessas medidas."

Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave) e as montadoras, a demanda por veículos novos tem a ajuda do uso de caminhões para o escoamento das safras de soja, milho e cana-de-açúcar, bem como das obras de infraestrutura. "Ainda existe muita safra a ser colhida e, no caso da infraestrutura, o Brasil precisa ainda ser 'construído'. Há demanda de caminhões para isso", afirma Alarico Assumpção Júnior, presidente executivo da Fenabrave./ COLABOROU WLADIMIR D'ANDRADE

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