Queda na produção industrial é reflexo da Copa

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, atribuiu a queda da produção industrial, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), à Copa do Mundo. Segundo ele, os negócios tanto do comércio quanto da indústria ficaram praticamente paralisados nos dias de jogos, o que puxou para baixo os números de junho. Segundo ele, os indicadores de julho e início de agosto, aos quais teve acesso, "estão bem mais alentadores". No sexto mês do ano, os dados do IBGE apontaram para uma queda de 0,7% na produção, tomando como base maio. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 0,6%. No acumulado do semestre, o crescimento é de 2,6% e, nos últimos 12 meses, de 2%. Já pesquisa divulgada na última quarta-feira pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) mostrou que as vendas do setor na Região Metropolitana de São Paulo cresceram 3,2% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2005. A alta foi considerada "modesta" pela direção de entidade. Na terça, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgou dados sobre o comportamento dos consumidores, também em junho. Segundo a associação, passado o pessimismo com a derrota do Brasil na Copa do Mundo, os sinais são de melhora. O volume de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), que indica as compras a prazo, cresceu 2,8% em julho ante o mesmo mês do ano passado. Na comparação com o junho, a alta foi ainda maior, de 6,3%. Já o número de consultas ao Usecheque, que mostram as negociações à vista, tiveram um aumento de 6,6% em julho, em relação ao mesmo período de 2005, e 6,7% em julho ante junho.Na avaliação da associação, o maior movimento do varejo se deve também às promoções e liquidações, à ampliação de prazos do crediário, e ao frio do último final de semana. A ACSP espera, baseada no ritmo de consultas ao SCPC e ao Usecheque, um desempenho mais favorável no comércio em agosto.Analistas estrangeiros Também no exterior, a acentuada queda da produção industrial brasileira surpreendeu os analistas estrangeiros, mas não se transformou um foco de preocupação. Juan Pablo Fuentes, analista da Economy.com - unidade de pesquisa da agência de risco Moody´s - observou que o setor industrial brasileiro ainda está enfrentando o efeito restritivo da política monetária, cujos juros elevados limitam as decisões de investimento. "Mas o fato positivo é que a política monetária está sendo gradualmente relaxada, ajudando a economia", disse Fuentes. Segundo ele, as condições externas favoráveis vão continuar beneficiando a indústria brasileira do setor de extração mineral e processamento. "Por isso, continuamos prevendo uma recuperação mais forte da indústria juntamente com um fortalecimento de toda a economia brasileira no restante do ano", afirmou. Alberto Ramos, analista do Goldman Sachs, disse que a clara perda de dinamismo na produção industrial reduz o risco do ritmo de atividade pressionar a inflação. "Mas isso já era, de certa maneira, esperado pelo Banco Central", afirmou Ramos.

Agencia Estado,

04 de agosto de 2006 | 15h58

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