Queda na renda e aumento do desemprego afetaram comércio

O desempenho do comércio varejista no ano passado foi afetado pela queda na renda e o aumento do desemprego, segundo avalia o técnico do IBGE, Nilo Lopes. "A renda e o emprego são os dois fatores limitadores para o comércio deslanchar", disse. No ano passado, o comércio registrou queda acumulada de 3,68% nas vendas ante o ano anterior, após reduções já ocorridas em 2001 (-1,57%) e 2002 (-0,69%).A pesquisa do comércio foi iniciada há três anos. Em 2003, houve queda generalizada em todos os segmentos pesquisados pelo IBGE. Lopes destacou que os setores que dependem mais da renda e do emprego apresentaram desempenho acumulado pior do que os mais vinculados ao crédito. As maiores quedas acumuladas foram registradas em combustíveis e lubrificantes (-4,29%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-4,87%) e tecidos, vestuário e calçados (-3,08%). Reduções um pouco menores foram registradas em móveis e eletrodomésticos (-0,91%) e demais artigos de uso pessoal e doméstico (papelaria e informática, entre outros -2,41%). As vendas de veículos, motos e partes - segmento pesquisado pelo IBGE, mas não contabilizado no cálculo geral da taxa - caíram 7,2% no ano, mas Lopes ressaltou a forte recuperação desse setor no último trimestre, por causa da queda nos juros.Lopes avaliou que o resultado do comércio no primeiro semestre (-5,6% ante igual período do ano anterior) foi "muito ruim" por causa de "toda uma conjuntura desfavorável, com juros caindo timidamente, política de controle da inflação e renda em queda". No segundo semestre (-1,92%), segundo ele, houve o início de uma recuperação gradual do comércio porque "a inflação foi controlada e os juros começaram a cair de forma mais firme, mas o que impediu um desempenho melhor foram as variáveis da renda e do emprego".DezembroO aumento de 3,2% nas vendas do comércio em dezembro ante igual mês do ano passado foi provocada especialmente pela reação nos segmentos de móveis e eletrodomésticos (20,89%) e hipermercados, supermercados, bebidas, produtos alimentícios e fumo (1,8%). O segmento de super e hipermercados, individualmente, registrou aumento de 1,63%. Foi o primeiro aumento mensal das vendas no varejo registrado desde novembro de 2002. A pesquisa de comércio não divulga dados comparativos a mês anterior. Segundo o técnico do IBGE, Nilo Lopes, a reação de móveis e eletrodomésticos ocorreu por causa das melhores condições do crédito, base de comparação deprimida do ano passado e maior confiança do consumidor nos rumos da economia. No caso dos alimentos, ele atribui a melhora ao controle da inflação e "alguma reação" do mercado de trabalho em dezembro, quando há contratação temporária de trabalhadores. Os demais segmentos apresentaram os seguintes desempenhos em dezembro: combustíveis e lubrificantes (-0,49%); tecidos, vestuário e calçados (0,73%); demais artigos de uso pessoal e doméstico (-0,09%) e veículos, motos e partes (pesquisado mas não contabilizado no dado geral, com aumento de 14,77%). A reação do comércio no fim do ano aumentou o otimismo de Lopes em relação ao desempenho do setor em 2004. "O final do ano foi positivo e acreditamos que daqui pra frente, a partir dessa conjuntura mais favorável, será mantido esse comportamento mais favorável do comércio", disse, acrescentando: "Esperamos que esse quadro de melhora continue, a tendência é que 2004 seja bem melhor do que o ano passado".

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